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Assistir a um filme com a observação “baseado em fatos reais” mexe, antecipadamente, com os brios do espectador. Imaginar que o acontecimento das telas aconteceu com alguém, em algum lugar, sempre despertará um sentimento de empatia natural, seja por medo, seja por piedade. E é com essa característica que 127 Horas chega aos cinemas.  

Em 25 de abril de 2003, o alpinista Aron Ralston visitava o que ele chamava de sua “segunda casa”: as montanhas de Utah, nos Estados Unidos. Conhecedor profundo dos caminhos e das passagens secretas existentes no local, ele não poderia imaginar que passaria as 127 horas seguintes com o braço preso em uma fenda. Sua luta pela sobrevivência foi caracterizada por momentos de nervosismo e alucinações, que posteriormente foram contadas no livro Between a Rock and a Hard Place.

James Franco (da trilogia Homem Aranha), que já vinha se destacando em Hollywood nos últimos tempos seu trabalho em Milk A Voz da Igualdade é de uma imensa delicadeza –, é o encarregado de transportar para as telas a história de Aron, alguém que ainda está vivo. Muitos atores já afirmaram que essa é uma tarefa difícil, tendo em vista que existe uma linha muito tênue entre a caracterização e a imitação. Mas Franco segura bem o cargo: seu carisma consegue prender a atenção do espectador ao longo dos 95 minutos da película e comove nos momentos em que é necessário. A propósito, há de se observar que a resolução do drama não é indicada para os mais fracos. Vá ao cinema preparado!


Outro merecedor dos louros é o diretor Danny Boyle (de Quem Quer Ser um Milionário?), que desde Trainspotting (1996), um dos filmes mais cultuados pelo público alternativo, vem desenvolvendo uma linha autoral bem interessante. Sua linguagem é veloz (o início funcionaria perfeitamente como um videoclipe), o que auxilia no fato de todas as filmagens estarem centradas em um único ambiente, e acaba não entediando o público. A trilha sonora, de A.R. Rahman, também está correta. Foge do clichê das músicas de tensão em determinadas cenas, dando um certo alívio a quem já se remexeu, de nervoso, na cadeira.

Indicado aos Oscar de Melhor Filme, Ator (James Franco), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Canção Original (If I Rise) e Edição, talvez 127 Horas se dê bem nos prêmios técnicos. Apesar do bom trabalho, vai ser difícil alguém tirar as estatuetas de O Discurso do Rei e Colin Firth. E Boyle bem que merecia uma indicação para chamar de sua... Estreia: 18 de fevereiro.

6 Indicações ao Oscar: Filme, Ator (James Franco), Roteiro Adaptado, Edição, Trilha Sonora Original, Canção Original

127 Horas (127 Hours) – 95 min
EUA, Reino Unido – 2010
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle, Simon Beaufoy Baseado no livro Between a Rock and a Hard Place, de Aron Ralston
Com: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams, Clémence Poésy, Lizzy Caplan


Por: Ananda Menali

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  1. Sempre gostei dos filmes de Danny Boyle. Uma das poucas pessoas que são criativas hoje em dia no meio artístico. Mas talvez esteja indo no mesmo caminho de Tim Burton.
    Este é um filme que é caracterizado pela atuação espetacular de James Franco, e possue uma das melhoras cenas já protagonizadas no cinema: o momento em que ele simula um talk show de Rádio, interpretando ele mesmo e o entrevistador.
    Algumas cenas são bem chatas ao estilo "Pi" de Darren Aronofsky, pela repetição e rapidez dos cortes de "clipes", que sempre insisto que nada tem a ver com cinema.

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  2. Tá interessante o filme, mas muito aquém da expectativa! a única cena que está impressionantemente bem feita é a do braço! Só por isso valeu a pena ver!

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  3. Fiquei muito curioso e depois de ver o filme digo se realmente concordo com tudo que li aqui.

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