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Tio Boonmee está doente, talvez nos seus últimos dias de vida. Ele, então, se recolhe na sua fazenda enraizada na floresta e recebe a visita de alguns familiares. O que poderia ser apenas uma simples crônica familiar, se transforma, com a junção de religião budista, crenças populares, aparições de fantasmas e criaturas da floresta, pintando um retrato sobre um povo movido não somente pela fé, mas pela esperança.

As encarnações anteriores do tio serão lembradas durante esse período (e aqui o filme consegue criar imagens da mais pura beleza, com destaque para o lago dos peixes), mas as vidas passadas do título englobam também seus parentes que se foram do plano terreno, todos reunidos para ajudar o protagonista a completar seu rito de passagem, encerrando um ciclo que existiu desde sua primeira existência.



É interessante notar como a vida de Boonmee reflete e está interligada à de seu país. Até mesmo seus arrependimentos são os mesmos de uma Tailândia que sofreu com as guerras civis. Em certo momento, o passado é deixado de lado em prol de uma visão do futuro. Um diálogo entre uma geração criada sobre costumes e crenças, que vê surgir uma nova juventude, para a qual a modernidade fala mais alto.

Considerando sua escolha à Palma de Ouro 2010, no Festival de Cannes, não vá esperando um filme fácil. E pensando que o presidente do júri daquele ano foi Tim Burton, não se assuste com algumas bizarrices. Esse é um filme sensível, sobre questões que podem estar além de sua compreensão (ao menos das minhas estão), mas que conseguem traduzir os sentimentos que o homem tem de melhor. Estreia: 21 de janeiro.

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Loong Boonmee Raleuk Chat) - 114 min
Tailândia, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Holanda - 2010
Direção: Apichatpong Weerasethakul
Roteiro: Apichatpong Weerasethakul
Com: Sakda Kaewbuadee, Matthieu Ly, Vien Pimdee, Jenjira Pongpas, Thanapat Saisaymar



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