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A diretora Georgia Guerra-Peixe, sobrinha-neta de um dos grandes compositores da música erudita brasileira, César Guerra-Peixe, passou a infância acompanhando o pai ao morro da Mangueira, nas rodas de samba e ensaios da Estação Primeira. Nada mais natural, então, do que ela iniciar essa jornada de regresso: a busca pelo samba que mora nela. Afinal, estamos falando aqui de um filme extremamente pessoal.

Inicia-se então uma espécie de descobrimento do morro, que vai além da Escola. A câmera é uma desbravadora, que vai percorrendo ruas, becos e vielas, em busca de histórias de gente que vive naquela região considerada tão especial. E, pelo fato de o termo "favela" infelizmente remeter ao tráfico de drogas, armas e bandidagem, O Samba Que Mora em Mim não esconde essas presenças, mas consegue resgatar valores e imagens que não são comuns a um dia-a-dia estereotipado pelo noticiário policialesco.



Como a própria narradora-diretora diz, o que a intrigava na infância não era o samba em si, mas as pessoas que orbitavam em torno daquele ritmo. Então, são apresentados depoimentos diversos: desde pessoas ligadas à Escola, passando por anônimos com suas histórias de vida, até gente que prefere outros ritmos e fica a constatação de que o funk é preferência musical da maioria das pessoas, principalmente dos jovens. Ainda assim, o samba permanecerá vivo enquanto houver lembranças e o carnaval.

A produção cinematográfica brasileira tem tido relevantes expoentes na realização de documentários. Grandes filmes do gênero foram lançados no ano passado, como Utopia e Barbárie, e a indicação ao Oscar de Lixo Extraordinário só reafirma essa tendência. Felizmente, se depender de O Samba Que Mora em Mim, teremos mais um bom ano. Estreia: 11 de fevereiro.

O Samba Que Mora em Mim – 72 min
Brasil, Portugal – 2010
Direção: Georgia Guerra-Peixe
Roteiro: Ticha Godoy, Georgia Guerra-Peixe
Participações: Timbaca, Cosminho, Lili, Vó Lucíola, Hevalcy, Mestre Taranta, DJ Glauber





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