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Um mágico decadente com um coelho rebelde que insiste em fugir das obrigações de coelho da cartola ganha a vida com apresentações em teatros vazios na França e na Inglaterra e recebe severas vaias em teatros cada vez mais vazios. O mágico, então, abandona esses ambientes e decide se apresentar em bares sujos repletos de bêbados; em um desses bares conhece uma mocinha pobre e estabelece uma relação paternal com ela. A partir desse encontro, a vida de ambos ganha novos contornos. Eis a história da animação O Mágico, do diretor Sylvain Chomet, de As Bicicletas de Belleville (2003), e do roteirista Jacques Tati.

A animação, indicada ao Globo de Ouro 2011, mostra o encontro entre duas pessoas carentes e a consequência na vida de ambos com a união. Um senhor provido de escassos recursos, porém extremamente solidário, que não pensa duas vezes antes de presentear a moça, e, acima de tudo, apresentá-la a um novo universo. O fato de o senhor mágico mecanizar um truque para oferecer determinado presente à garota – como no momento em que entrega o sapato e o vestido – é recompensador para ele. É uma forma de ver alguém feliz e, de certa forma, observar a pessoa reconhecendo seu dom, a “magia”. Sem arrojos visuais das produções da Pixar ou DreamWorks, O Mágico é um belo filme sobre solidariedade, compaixão, e investe em uma história sobre pessoas reais, num mundo sombrio e impessoal.



O inteligente roteiro de Jacques Tati, no entanto (e felizmente) não esbarra na pieguice, por mais sensível, e triste que seja. Triste sim, pois acompanhar a desesperada insistência de alguém em seguir com o trabalho que ama, e constatar que, apesar da persistência, o resultado não é dos mais satisfatórios, é comovente. A sequência que ilustra o mágico em inúmeras viagens de trem, quando os passageiros mudam, o dia escurece (e clareia), mas ele permanece na poltrona com praticamente o mesmo semblante, pontua com precisão a determinação do profissional. Mesmo quando procura outros empregos para complementar a renda, a mágica não o abandona. Na atmosfera do filme, permeiam a paixão pela mágica e o prazer da mocinha na descoberta pelos bens de consumo (vestidos, sapatos, colar), aos quais não tinha acesso anteriormente, e é claro, na possibilidade de conhecer pessoas novas e interessantes.  

Triste e  sensível, O Mágico é uma animação madura amparada na realidade nem sempre acolhedora das relações humanas nas cidades. A solidariedade e o fortalecimento de laços, em contrapartida, são sentimentos mágicos que ajudam a lidar com as adversidades. A mágica existe. Estreia: 14 de janeiro.

O Mágico (L'illusionniste) - 90 min
Reino Unido, França - 2010
Direção: Sylvain Chomet
Roteiro: Sylvain Chomet, Jacques Tati
Dublagem Original: Jean-Claude Donda, Eilidh Rankin, Duncan MacNeil, Raymond Mearns, James T. Muir, Tom Urie, Paul Bandey



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