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O que será de nozes?

Crítica - Deixe-me Entrar

26 de janeiro de 2011



Para quem não viu o sueco Deixe Ela Entrar (2008), esta é uma boa oportunidade de assistir nas telonas a história de amor de Owen e Abby (no original, Oskar e Eli), um garoto de 12 anos e uma menina-vampira, que tem 12 há muito tempo... Apesar das recorrentes cenas de violência, o inocente romance entre as crianças é sensível e delicado, oferecendo um contraponto mais leve e deixando em segundo plano a trama de transformações vampirescas, assassinatos e investigação policial. O roteiro também aborda um tema importante de ser debatido, o bullying.

Owen (Kodi Smit-McPhee, de A Estrada) é um garoto solitário, que sofre com a separação dos pais e a violência física e psicológica imposta por um grupo de rapazes valentões de sua escola. Quando Abby (Chloë Grace Moretz, a Hit-Girl de Kick Ass) se muda para o apartamento vizinho, uma, aparentemente, impossível aproximação entre eles se inicia, não só pela solidão de ambos, mas, principalmente, pela fragilidade de Owen, que inspira os cuidados de Abby. A forma como ela justifica o fato de não poder ser sua amiga gera belos momentos, inclusive com intervenções cômicas que quebram a tensão do suspense e fazem o espectador relaxar um pouco.

Chloë Moretz tem ótima atuação, misturando a agressividade da Hit-Girl, com uma delicadeza dramática impecável, formando um belo par com Kodi Smit. Richard Jenkins também merece destaque, em um papel importante e que poderia ser melhor aproveitado, visto a densidade do conflito de seu personagem, tendo seu grau de parentesco com Abby revelado em uma cena crucial para a trama, porém sutil e que precisa ser vista com atenção. A parte técnica de Deixe-me Entrar é competente, mas nem um pouco original, já que tem como base o recente Låt Den Rätte Komma In (no original).

 

Remakes nunca são unanimidade e precisam ser analisados a partir de sua motivação. O fato de ser uma homenagem a um grande cineasta, um exercício de linguagem cinematográfica ou, simplesmente, a oportunidade comercial de se aproveitar uma obra alternativa com potencial para ser vendida como um produto da indústria cultural, com único e exclusivo interesse de gerar lucro, e não de inovar artisticamente, tem peso determinante na qualidade de reconstrução técnica e renovação artística da obra. Se ainda formos contar que o povo norteamericano, em sua maioria, é conhecido por ter preguiça de ler legendas, ainda se soma este fator ao resultado final da adaptação ou remake.   

No caso de Deixe-me Entrar, lançado apenas dois anos após o longa original, o fator predominante na motivação de sua produção, obviamente, não é uma homenagem e nem um exercício de linguagem. Mas, em todo caso, é um filme que, além de contar com ótimas atuações e ser tecnicamente muito bem realizado, tem a possibilidade de atingir um público mais acostumado à  Saga Crepúsculo, que terá oportunidade de conhecer um universo vampiresco realmente denso, de qualidade técnica mais refinada, e com uma história mais profunda, mesmo sendo protagonizada por duas crianças, que vivem uma espécie de Romeu e Julieta vampiresco, pela impossibilidade de se entregarem a um amor infantil e inocente, porém verdadeiro e perigoso. Estreia: 28 de janeiro.

Deixe-me Entrar (Let Me In) – 116 min
Reino Unido, EUA – 2010
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves – Baseado no roteiro e no romance Låt Den Rätte Komma In, de John Ajvide Lindqvist
Com: Kodi Smit-McPhee, Chloë Grace Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono, Elias Koteas, Sasha Barrese, Dylan Kenin, Chris Browning, Ritchie Coster, Dylan Minnette, Jimmy 'Jax' Pinchak, Nicolai Dorian



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8 comentários:

Lola disse...

Eu não assisti nem o Deixe Ela Entrar, mas tenho certeza que é bem melhor que crepúsculo. Qualquer filme é superior a crepúsculo, pelo menos mais sensato, com certeza.

Anônimo disse...

Deixa ela entrar >>>>>>>>>>>> Deixe-me entrar

Anezka disse...

Não precisa muito para ser melhor que a saga Crepúsculo, né!

Não vi Deixe-me Entrar, mas o original Låt Den Rätte Komma In é fantástico e vale muito a pena. Particularmente, não sou muito fã dos remakes americanos que são feitos pouco tempo depois do lançamento do filme original. Normalmente o filme "estrangeiro" é melhor e o único "defeito" é não ser em inglês. Que os americanos aprendam a ler legenda!

Anônimo disse...

Show vi ontem a Hit-Girl arrebenta....

Absurdo disse...

Em termos de razão, o remake é muito superior ao original.

Em termos de emoção depende (usando sua lógica), mas para mim o americano é melhor também. É filme A, o sueco é bom para um filme B

Anônimo disse...

Filme B o sueco?O original?Só se A significar aumentar o sangue, usar cliches(vampiros de olhos claros, policial chato,batidas de carro) e tirar qualquer coisa relacionada a sexo.

Anônimo disse...

Filme americano B caindo pro C...o remake praticamente chama o publico americano (e os demais q preferem o remake) de burros...pq coloca tudo (menos oq devia) as claras...provavelmente pq duvidam da capacidade de pensar e deduzir do seu proprio publico...resumindo...se a versao americana fosse assim tao digna de A...nao teria praticamente plagiado a versao sueca...

Anônimo disse...

não assiti o original,mas achei o americano muito poético com uma brilhante atuação de chloë grace menina fantástica vale a pena assistir.

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