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O clássico As Viagens de Gulliver, escrito no começo do século XVIII, em 1726, por Jonathan Swift, ganha uma roupagem moderna e divertida na pele do ótimo Jack Black, de Escola do Rock (2003). As irresistíveis citações musicais e referências pop presentes em grande parte dos filmes do gordinho desengonçado também têm espaço nesta adaptação e garantem boas risadas, pelo contexto em que são inseridas tendo papel fundamental no desenvolvimento da trama e na agilidade dos diálogos e pelas situações inusitadas em que se mete Lemuel Gulliver, um acomodado funcionário do setor de correspondências do jornal Tribuna de Nova York.

Gulliver mantém o mesmo emprego há dez anos e, como bom nerd, se preocupa mais em colecionar bonecos da saga Star Wars e jogar Guitar Hero, do que ser promovido ou convidar sua paixão platônica, a editora Darcy Silverman (Amanda Peet, de Sentimento de Culpa), para sair. Para tentar impressioná-la, Gulliver se candidata a cobrir sozinho uma matéria sobre o temido Triângulo das Bermudas e uma tormenta o faz parar em um reino de homenzinhos em miniatura, sendo visto pelos habitantes da pequena Lilliput como The Beast (A Fera).

A monarquia de sotaque britânico de Lilliput e seus conflitos armados com a inimiga Blefuscia são retratados com atuações estereotipadas e caricaturais, mas de forma proposital, como uma sátira aos filmes sobre reinos e guerras medievais, incluindo uma princesa (Emily Blunt, de Trabalho Sujo) dividida entre o amor de um membro da corte e um plebeu, um general linha dura (Chris O'Dowd, o Roy da hilária série de TV britânica The IT Crowd), invasões, traições, diálogos formais muito bem satirizados e afins. E é justamente nesta guerra que Gulliver será visto não como uma aberração gigante, mas como um grande homem.



A forma como o viajante perdido se torna herói e se aproveita desta situação, fazendo da britânica Lilliput seu norteamericanizado reino particular (aqui também entra sutilmente a histórica rivalidade entre metrópole e colônia), é a melhor parte do filme. Gulliver tem todos seus desejos atendidos pelo rei e seus súditos e se deslumbra com sua nova realidade. Sua interação com os pequeninos é hilária, principalmente em cenas em que ele os usa para jogar pebolim, ganhar uma massagem nas costas e cortar o cabelo entre inúmeras outras. Mas, o mais divertido são as referências a sucessos do cinema como Titanic e Avatar, encenados pelos atores em miniatura de Lilliput, em recriações nas quais Gulliver é o personagem principal. Ou seja, a fera vira um verdadeiro popstar.

Apesar do roteiro ser baseado em fórmulas mais do que recorrentes em comédias, sua condução garante uma excelente diversão, assim como o curta exibido antes do filme, protagonizado pelo divertido esquilo pré-histórico Scrat de A Era do Gelo, que explica de forma sensacional a formação dos continentes (portanto, não chegue atrasado na sessão). A fábula de As Viagens de Gulliver e suas lições de moral são ótimas para as crianças e, também (por que não?), para os adultos que as acompanham. Afinal, a grandeza de um homem não se mede pelo seu tamanho. Estreia: 14 de janeiro


As Viagens de Gulliver (Gulliver's Travels) - 85 min
EUA - 2010
Direção: Rob Letterman
Roteiro: Joe Stillman, Nicholas Stoller - Baseado no livro de Jonathan Swift
Com: Jack Black, Jason Segel, Emily Blunt, Amanda Peet, Billy Connolly, Chris O'Dowd 



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