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A sequência de Tropa de Elite (2007) reflete o amadurecimento do diretor José Padilha, tanto como cineasta quanto como cidadão, aprofundando e mudando o foco da discussão levantada no primeiro filme, mergulhando até as entranhas dos problema sociais que, não só o Rio de Janeiro, mas o país inteiro enfrenta. Tropa de Elite 2 tem menos doses de ação, mas nem por isso deixa de ser tão ágil quanto o primeiro. É praticamente impossível piscar os olhos em certas cenas, de tão bem finalizadas e reais que são.



A narrativa fragmentada é favorecida pela montagem e movimentos de câmera, que não têm  intenção de agradar visualmente, mas sim de ser elementos a mais, para destacar os sentimentos à flor da pele exalados pelo sofrimento dos personagens. Meu Mundo em Perigo é daqueles filmes que fazem pensar e deixam o espectador sem palavras ao fim da sessão, com um final supreendente, impactante e extremamente filosófico. Genial.

 

A estreia de Marco Ricca como diretor não poderia ser melhor. Cabeça a Prêmio é um filmaço. Alguns cinéfilos podem até achar o longa um pouco lento ou arrastado, mas a narrativa é densa e, apesar de apresentar apenas superficialmente os personagens, a ambientação é perfeita e os conflitos se desenvolvem de maneira intensa e arrebatadora. O roteiro não aborda o passado de ninguém. Todos são "lançados" na história e cabe ao espectador estabelecer as conexões entre eles. Cabeça a Prêmio é daqueles filmes que estimulam a inteligência e a percepção dos fatos.  



Depois de 9 anos sem dirigir um longa, André Klotzel - de Memórias Póstumas (2001) - não poderia ter escolhido argumento mais inusitado. E Selton Mello não poderia ter escolhido um personagem mais esquisito. O cara dubla o Liquidificador do título. Liquidificador com inicial maiúscula, pois a máquina é um dos protagonistas do filme, junto com a dona de casa Elvira (interpretada brilhantemente por Ana Lucia Torre). O roteiro do estreante em longas José Antônio de Souza é ousado e vai ganhando corpo durante a projeção. Trabalha de forma admirável a linha de tempo, com idas e vindas cuidadosamente organizadas, em uma irresistível estrutura não linear. 



Baseado no livro As Meninas da Esquina, de Eliane Trindade, o maior trunfo do novo filme de Sandra Werneck é a humanização das personagens. Não é preciso morar em uma favela nem sofrer os mesmos problemas das meninas, para ser tocado pelas suas sofridas trajetórias e se identificar com elas. Quem não tem sonhos, ao mesmo tempo tão tangíveis e tão distantes? Sonhos Roubados desnuda uma sociedade que finge não vestir a carapuça da hipocrisia.


Olhos Azuis tem um tema bastante delicado. É uma crítica à xenofobia, mais evidente ainda, nos EUA, após o polêmico 11 de setembro. A estrutura narrativa é brilhantemente dividida em três tempos, contados de forma não linear. Os atores principais têm performances geniais. Antagonista e protagonista duelam em palavras, gestos, expressões. E quem ganha é o público.


Utopia e Barbárie é um road movie documental autobiográfico, que desconstrói (a partir de experiências impressionistas), um quebra cabeças de eventos de importância crucial para a história pós moderna da humanidade. Portanto, mais do que um filme, Utopia e Barbárie é uma aula de história. A partir da Segunda Guerra Mundial, passando por Japão, Itália, EUA, Brasil, Vietnã, Cuba, Uruguai, Chile, entre outros países, Silvio Tendler mostra as guerras e revoluções que transformaram a vida de cidadãos, amigos e familiares. 


Apesar de ser uma comédia rasgada, o longa é uma crítica irônica e muito divertida ao ciclo de corrupção que sempre rondou o cenário político do país (vale lembrar que a obra original foi escrita no começo dos anos 60 e a trama se passa naquela época).


Quincas Berro D'Água é uma grande obra da cinematografia brasileira, que une qualidade técnica, narrativa e de conteúdo a apelo comercial (coisa bem difícil de se fazer em nosso país). Sérgio Machado, diretor de Cidade Baixa (2005), tem em Quincas (Um Morto Muito Louco, agora magistralmente adaptado para o cinema brasileiro), seu quinto longa metragem, uma deliciosa comédia, perfeita em todos seus detalhes.  


De forma bela e lúdica, Eu e Meu Guarda Chuva mostra as aventuras e desventuras que três amigos de 11 anos vivem no último dia de férias, antes de encararem a sexta série em uma nova e temida escola. Além da ótima abordagem da história, da direção e das atuações seguras do elenco mirim, a parte técnica dá conta do recado. A direção de arte e o figurino se destacam.

Obs.:  Menção honrosa ao belíssimo e melancólico Os Famosos e os Duendes da Morte, poesia estética e visual do estreante em longas Esmir Filho, diretor do curta Tapa na Pantera.



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  1. KD AS MELHORES COISAS DO MUNDO???

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  2. Cadu,

    sempre é difícil escolher os filmes das listas dos melhores do ano. 'As Melhores Coisas do Mundo' é ótimo e gostei muito do longa, mas prefiro os citados.

    Abraços.

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  3. 10 filmes nacionais bons?? Fala sério! Isso nunca existiu, mesmo contando todos os anos de cinema nacional, se chegar a 9 é muito!!!!! Quincas Berro D´Agua? Tá me tirando?

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  4. Esse comentário anônimo é a síntese do preconceito em relação ao cada vez melhor cinema nacional. É triste que ainda existam pessoas que não valorizam nossa cultura cinematográfica.

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  5. É bom estar vivo para assistir um filme como tropa de elite 2.Com todos os recordes históricos temos uma autêntica façanha nacional em tempos de baixíssima criatividade gringa e conterrânea.Parabéns ao pessoal do filme...

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