5



Em O Segredo dos Seus Olhos, o diretor Juan José Campanella, do belíssimo O Filho da Noiva (2001), se firma como um dos cineastas mais completos da atualidade. Além de apresentar uma obra densa e profunda, tecnicamente o filme é perfeito. São jogadas de câmera seguras e bem definidas, direção de arte extremamente cuidadosa, ângulos bem estudados e escolhidos, atuações seguras e, ao mesmo tempo, poéticas e realistas. Tudo de acordo com a emoção dos personagens. As pequenas sutilezas fazem toda a diferença e dão liga à trama, mas também há espaço para a grandiloquência. Chama a atenção um dos planos sequência mais bonitos e incríveis da história do cinema.



O Escritor Fantasma é um daqueles poucos filmes para os quais podemos dar nota dez. Perfeito, do início ao fim. São raros os cineastas que têm uma pegada tão característica como o genial Roman Polanski (que ganhou o Urso de Prata de Melhor Diretor, no Festival de Berlim, por este filme). É como ouvir Jimmy Page tocando sua Gibson Les Paul. Aos primeiros acordes, já sabemos que é ele. Em The Ghost Writer (título original), Polanski resgata o suspense psicológico da obra prima O Bebê de Rosemary (1968) e o clima noir de Chinatown (1974), os unindo em um único filme. A sutileza de sugerir, em vez de mostrar, faz a história crescer em tensão. A cada fato que induz a uma pista, a cada nova descoberta, o espectador é brindado com o prazer do verdadeiro cinema



Fantasia, personagens maravilhosos, provações, animais falantes, crítica à aristocracia inglesa do século XIX, e, principalmente, o tão aguardado espetáculo em 3D. Um freak show (no melhor sentido do termo) com a assinatura visual de um dos diretores mais estilosos e autênticos da história do cinema. Alice é interpretada pela jovem Mia Wasikowska, que conseguiu o papel desejado por onze entre dez atrizes de sua faixa etária. Até a doidinha da Lindsay Lohan queria ser Alice (ainda bem que não conseguiu). Mia se sai muito bem como a protagonista da trama, mas Johnny Depp (como o Chapeleiro Maluco) e Helena Bonham Carter (como a cabeçuda Rainha Vermelha) roubam a cena, com brilhantes intervenções.



Bem vindo a um mundo de sonhos e imaginação. Don Cobb (Leonardo di Caprio) é o líder de um grupo que invade sonhos para roubar importantes informações e segredos das mentes de pessoas poderosas, enquanto dormem. O roteiro, dividido em limbo, sonhos, sonhos dentro de sonhos e realidade (será?), apesar de complexo, não é confuso. A parte técnica do filme é ótima. Ambientação, trilha sonora, direção, atuações, roteiro, efeitos especiais... Além da excelente construção da história, as cenas de ação são muito bem elaboradas. As que mais me chamaram a atenção foram as mudanças de gravidade, que geram lutas e movimentos incríveis. 



Os críticos de Woody Allen costumam taxá-lo de chato e repetitivo. Dizem que ele sempre conta a mesma história, mudando apenas os títulos dos filmes e os nomes dos personagens. Mas ele soube atingir a maturidade artística justamente na repetição. Na repetição de um estilo inconfundível, único e rico. Por mais que seus filmes tenham temáticas parecidas, sempre há novidades. O estilo é o mesmo, não as histórias. Sua personalidade é tão forte, seus questionamentos tão corajosos, suas inovações tão sutis, que é necessário sensibilidade para compreendê-los e refletir.


Violento, sangrento, ao mesmo tempo hilário, mas nem um pouco apelativo. Kick Ass seria uma espécie de Tarantino das adaptações de quadrinhos, sem as complexas estruturas narrativas, mas com o humor negro característico de seus filmes e aquela irresistível pegada nonsense. Dave (o ótimo Aaron Johnson) é um daqueles nerds que passam despercebidos em sua escola, fanático por quadrinhos, pornografia e sem sucesso algum, ou melhor, invisível para as mulheres. Um belo dia, cansado de sua vida medíocre, o rapaz se questiona: "Por que ninguém quer ser um super herói"? E ele mesmo resolve ser um. Compra uma fantasia, assume o disfarce de Kick Ass, treina em frente ao espelho, fazendo uma menção ao inesquecível Travis Bickle (Robert de Niro) em Taxi Driver (1976), com seu famoso You talkin' to me?, e parte para as ruas.


Nerd Power neles !!! O cinema não é mais espaço exclusivo de galãs e bombadões. Cada vez mais, atores como o franzino e hilário Michael Cera dos deliciosos Juno e Superbad (ambos de 2007) retratam a nova geração da internet e do videogame, que agora tem sua voz nas telonas. Em Scott Pilgrim Contra o Mundo (adaptação das HQs), o talentoso diretor e roteirista Edgar Wright soube retratar este universo de forma genial, ao mesclar uma história ágil e envolvente, com piadas inteligentes, excelente roteiro e referências a games, resultando em um filme arrebatador, de visual irresistível. Sua estética moderna deve se tornar um marco na indústria cinematográfica e referência para as futuras grandes produções geeks.


Não entendo como ainda há preconceito e dúvidas em relação à qualidade do trabalho de Leonardo Di Caprio, mesmo depois de atuações excelentes, não só no começo de carreira, mas, principalmente, nos filmes de Martin Scorsese Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004) e Os Infiltrados (2006). Deve ser o estigma de Titanic (1997), mas fato é que seu talento é inegável. Ilha do Medo é um suspense psicológico digno de um mestre, com influências claras de Hitchcock e algumas pitadas de Polanski.


O primeiro acorde de A Hard Day's Night na cena de abertura já aumenta a expectativa para ver a história d'O Garoto de Liverpool, belíssima cinebiografia de John Lennon no período anterior à explosão de sucesso dos Beatles. O roteiro sensível de Matt Greenhalgh (baseado nas memórias de Julia Baird, irmã de John) explora mais os conflitos familiares do adolescente e o processo de formação da banda é colocado em segundo plano, fazendo com que o filme seja palatável tanto para os admiradores da banda (como eu), quanto para quem não gosta ou não se interessa pelos rapazes de Liverpool

10. Tetro

Fotografia em preto e branco, conflitos familiares, estudo da moralidade, locações na Argentina... Em Tetro, o rabugento Francis Ford Coppola retoma a velha forma que o consagrou na Trilogia O Poderoso Chefão e em Apocalypse Now

Obs.:  Menção honrosa ao belo drama cômico da diretora Lisa Cholodenko, Minhas Mães e Meu Pai, sobre uma família moderna, dita não convencial. 

Obs.: Apesar de A Rede Social ter sido indicado a importantes prêmios pré-Oscar e de ser um ótimo filme, não o considero um dos melhores do ano.

* Esta seleção foi concebida com filmes que estrearam comercialmente no Brasil em 2010 e sem contemplar filmes nacionais, que ganharam sua própria lista.


Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter

Postar um comentário

  1. Jura que você preferiu Alice no País das Maravilhas do que A Rede Social?

    ResponderExcluir
  2. Anezka, juro. Gostei muito de 'A Rede Social', mas prefiro mil vezes 'Alice'.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  3. Assisti ontem "O Pequeno Nicolau" e não sei o motivo da falta dele nessa lista...

    ResponderExcluir
  4. Alexandre, 'O Pequeno Nicolau' é um ótimo filme, mas o motivo dele não estar nessa lista é que os dez citados são superiores...

    ResponderExcluir
  5. Discordo apenas de "Alice...", eu detestei o filme. Quase não consegui terminar de ver. Ele, como você mesmo disse, se enquadra na categoria ame-o ou deixe-o. Eu deixo. rs ;)
    Não vi o 7 e o 9. Os demais, concordo muito.

    ResponderExcluir

 
Top