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A sessão Filme em Foco promoveu nesta quinta-feira (09/12) no Estação Botafogo (Rio de Janeiro) a pré-estreia de O Ciúme Mora ao Lado, novo filme do diretor finlandês Mika Kaurismäki. Após a projeção, debate com o próprio diretor e os membros da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) Denise Lopes, Luiz Fernando Gallego e Ricardo Largman. Mika vive há 18 anos no Brasil, onde rodou, entre outros, os filmes Moro no Brasil (2002) e Brasileirinho (2005). Com um ótimo português, ele falou sobre os personagens nonsense e caricatos de sua nova comédia (clique aqui para conferir a crítica e o trailer), além de suas influências artísticas e o processo de criação e produção do filme.

O Ciúme Mora ao Lado foi lançado na Finlândia em 2009 e foi o filme de maior sucessso comercial lançado no país até então sucesso semelhante, guardadas as devidas proporções, com Tropa de Elite 2 aqui no Brasil. Há quase 20 anos Mika não rodava um filme finlandês e resolveu atacar logo em dose dupla - Três Homens e uma Noite Fria (2008) também foi uma produção do país nórdico (clique aqui para conferir a crítica e o trailer). Esbanjando bom humor e alfinetadas nos críticos Mika disse que quis falar em O Ciúme Mora ao Lado sobre um assunto que considera muito engraçado (o divórcio) e brincar com valores e o limite entre o crime e uma "vida normal".

O diretor gravou dois finais para o filme, um brutal e violento e outro com o tradicional happy end (para saber qual ele escolheu, vá ao Espaço de Cinema 2 ou ao Estação Ipanema 1 onde O Ciúme Mora ao Lado entra em cartaz nesta sexta-feira). Mika Kaurismäki tem como principais influências o cinema oriental e os clássicos japoneses, russos e italianos perceptíveis em diversas cenas de seu novo longa. Por morar no Brasil há tanto tempo, seus personagens misturam a frieza nórdica com o calor tropical e a linguagem chega a parecer teatral em diversos momentos das brigas histéricas do ótimo casal protagonista.

Mika tem em sua cinematografia filmes de diferentes gêneros (documentários, dramas, comédias e suspenses), por preferir não se manter preso a um só estilo. O diretor revelou que no início de sua carreira tinha medo de se aproximar dos atores, pela falta de experiência, mas, com o tempo, foi desenvolvendo uma relação mais próxima. "Com a banalização da tecnologia, a emoção faz o diferencial", afirma o finlandês quase brasileiro. O sucesso de O Ciúme Mora ao Lado na Europa já rendeu convites para uma adaptação do filme para os palcos e parece que a proposta será aceita (Mika nunca fez teatro). 

No fim do debate, ele ainda falou sobre a diferença entre o processo de gravação de Três Homens e uma Noite Fria e O Ciúme Mora ao Lado. Enquanto no primeiro os diálogos foram totalmente improvisados, no segundo o roteiro (adaptado de um livro de sucesso na Finlândia, de Petri Karra) foi seguido à risca. Durante o debate, em um dos momentos de descontração, o diretor viu o músico Yamandu Costa na plateia e brincou com ele. A cinematografia de Mika Kaurismäki ainda não é tão conhecida aqui no Brasil, mas merece uma boa conferida. 

Por: Mattheus Rocha

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