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Personagens carismáticos e cenas emblemáticas marcam a deliciosa comédia italiana O Primeiro Que Disse, centrada na excêntrica família Cantone. Donos de uma fábrica de massas e conhecidos por todos moradores da pequena província de Lecce, os filhos da dona de casa Stefania (Lunetta Savino) e do autoritário Vincenzo (Ennio Fantastichini) são preparados para assumir o negócio. Mas os rapazes não estão muito confortáveis com a situação. Tommaso (Riccardo Scamarcio) quer ser escritor e morar em Roma, e não trabalhar no ramo do pai. "Se você sempre fizer o que os outros pedem, não vale a pena viver", já dizia sua sábia e sofrida avó.

Por Vincenzo ser aquele típico patriarca machão, ranzinza, preconceituoso e retrógrado embora dono de um mau humor hilário Tommaso passa a vida escondendo que é gay. Mas, para não ter que trabalhar na fábrica, o rapaz decide contar a verdade em uma celebração familiar, para ser expulso e poder viver sua vida em paz com seu namorado, seguindo o antigo sonho de ser escritor em Roma, onde estudou. Mas, para sua surpresa, e de toda a família, Antonio (Alessando Preziosi), seu irmão mais velho, interrompe Tommaso quando ele ia fazer a revelação para... fazer ele mesmo sua revelação. Resultado? Ele é deserdado pelo pai, que não quer vê-lo nunca mais, nem pintado de ouro.

Vincenzo sofre um ataque cardíaco pelo imenso desgosto e a gerência da fábrica cai no colo de Tommaso, pois, se com o anúncio do irmão o pai teve um enfarte, para não matá-lo Tommaso decide continuar fingindo ser hétero. A direção de Ferzan Ozpetek que também assina o roteiro, em parceria com Ivan Cotroneo orquestra de forma primorosa as cenas cômicas, mas também abre espaço para o drama. A cena de abertura é de uma poesia visual e sonora admirável. O único "porém" não diria que chega a ser um defeito é que as inserções dos flashback's demoram a ser contextualizadas, fato semelhante ao acontecido no belíssimo Os Famosos e os Duendes da Morte, do paulista Esmir Filho.



Para fingir que está tudo bem, o patriarca rabugento protagoniza algumas das melhores intervenções cômicas de O Primeiro Que Disse, só perdendo para os amigos gays de Tommaso fingindo ser héteros. Mesmo não querendo que ninguém saiba que seu filho é gay, em uma cidade pequena a fofoca corre solta e Vincenzo procura se recuperar do "trauma" empurrando Tommaso para a enigmática Alba (Nicole Grimaudo), que se interessa  pelo rapaz, mesmo sabendo a verdade. Tommaso está deslocado. Ele não pertence àquele lugar.

O último ato é de uma tensão emocional fantástica e comovente, com os marcantes atores coadjuvantes alternando momentos em que se aproximam do posto de protagonista, tão importantes são suas participações. A avó diabética de Tommaso dá o tom dramático do clímax o roteiro tem seus pontos de virada muito bem definidos e funciona como um guia para as decisões e relações da famíliaMine Vaganti (no original) é uma ótima surpresa e tem tudo para agradar tanto aos admiradores de comédias italianas, quanto ao público que gosta de sair um pouco do lugar comum hollywoodiano. Estreia: 01 de janeiro de 2011

O Primeiro Que Disse (Mine Vaganti) - 110 min
Itália - 2010
Direção: Ferzan Ozpetek
Roteiro: Ferzan Ozpetek, Ivan Cotroneo
Com: Riccardo Scamarcio, Alessando Preziosi, Ennio Fantastichini, Elena Sofia Ricci, Bianca Nappi, Nicole Grimaudo, Lunetta Savino



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