0

O primeiro acorde de A Hard Day's Night na cena de abertura já aumenta a expectativa para ver a história d'O Garoto de Liverpool, belíssima cinebiografia de John Lennon no período anterior à explosão de sucesso dos Beatles. O roteiro sensível de Matt Greenhalgh (baseado nas memórias de Julia Baird, irmã de John) explora mais os conflitos familiares do adolescente e o processo de formação da banda é colocado em segundo plano, fazendo com que o filme seja palatável tanto para os admiradores da banda (como eu), quanto para quem não gosta ou não se interessa pelos rapazes de Liverpool

O título original diz muito mais sobre o filme do que a tradução para o português (pra variar um pouco). Nowhere Boy faz referência à música Nowhere Man e deixa claro que quem será mostrado não é um John adulto e famoso, mas sim o adolescente que vive com os tios, não tem contato com os pais e acumula uma mágoa que só será possível extravasar com o Rock'n Roll. Antes de formar os Beatles, John era um garoto rebelde e não era exatamente um profundo conhecedor de música. Apesar de ter sido considerado um gênio durante sua carreira, era uma pessoa comum, assim como Paul e George (não gosto tanto de Ringo). Quando perguntado se conhecia Billie Holiday, a resposta do garoto John foi: Quem é elE?...

Após ganhar uma gaita de presente de seu tio, o garoto de Liverpool demonstra vontade de estudar música, mas não gosta do estilo clássico que sua tia Mimi (Kristin Scott Thomas, em atuação irretocável e digna de Oscar) ouve, e tende para o popular. No encontro com sua mãe, também há o encontro com o banjo, o violão e Elvis Presley. O fascínio pelo fenômeno Elvis motiva John a formar uma banda e ele convoca seus amigos de escola, mesmo que nenhum deles soubesse tocar um instrumento. Mas a força de vontade os faz superar as limitações e ir transpondo os obstáculos aos poucos (sua tia, inclusive). Elvis não é Bach, diz tia Mimi, a austeridade em pessoa.


Em um dos pequenos shows, um garoto chamado Paul está na plateia e, após a apresentação, ele vai pedir para entrar na banda. A relação de John e Paul e suas personalidades contrastantes rendem cenas fabulosas. Você não parece roqueiro, diz John. Só porque eu não saio quebrando coisas como um idiota? responde Paul. A mudança que o canhoto imprime ao grupo é essencial para seu amadurecimento musical. O rapazinho estimula John a estudar teoria musical, leva um guitarrista (o caçula George), e juntos passam a compor e produzir canções próprias. Os shows se tornam maiores, assim como os dramas familiares de John   

A primeira gravação profissional é um desabafo de John. Em In Spite of All the Danger, toda sua mágoa é lançada aos microfones e registrada em um rolo de fita (veja o vídeo desta que é uma das cenas mais bonitas do longa, abaixo do trailer). Apesar de toda mágoa que você pode me causar, farei qualquer coisa pra você.... As atuações são excelentes e a direção de Sam Taylor-Wood consegue extrair o máximo de emoção da história de John, seus familiares e amigos (confesso que  até chorei em algumas cenas). O período compreendido vai desde a morte do tio até as vésperas da viagem a Hamburgo (Alemanha), onde os Beatles tiveram reconhecimento internacional.  Estreia: 03 de dezembro.

John: Por que Deus não me fez Elvis?
Sua mãe: Porque te fez John.

O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy) - 98 min
Reino Unido, Canadá - 2009
Direção: Sam Taylor-Wood
Roteiro: Matt Greenhalgh - Baseado nas memórias de Julia Baird
Com: Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas, Thomas Sangster, David Threlfall, Josh Bolt, Ophelia Lovibond, Anne-Marie Duff, Sam Bell




Compartilhe este conteúdo |
  
O Cinema está na Rede e também no Twitter

Postar um comentário

 
Top