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Um grupo teatral que ensaia uma peça comparando Jesus e Lampião, uma sorridente Paloma Duarte e o Brasil em período ditatorial. Some a isso uma dúzia de canções e uma homenagem à amizade. O resultado é Léo e Bia, filme baseado na peça homônima, de autoria de Oswaldo Montenegro, sucesso na década de 80 e vista por mais de 500 mil pessoas. Em sua primeira incursão como diretor e produtor de cinema, o já conhecido cantor e compositor traz uma história de ficção com base autobiográfica. A obra foi rodada no Rio de Janeiro, ao longo de dez dias, após uma jornada de cinco meses de ensaios com o elenco e um mês de experimentação com movimentos de câmera. Tudo se passa em um cenário único: o galpão de ensaios de um grupo de atores iniciantes. É impossível não lembrar de Dogville (2003), de Lars Von Trier, quando se pensa nessa escolha do espaço e no uso de câmeras e luzes que evidenciam o jogo da metalinguagem.

Duas veteranas cedem boas interpretações à película: Paloma Duarte, vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Cine PE (Festival de Recife), interpreta Marina, narradora da história. Ela assume nas telas o papel que, na vida real, é da flautista Madalena Salles, amiga de Oswaldo há anos e ex-integrante desse grupo de teatro. Já Françoise Forton, em performance inspirada, dá vida à mãe de Bia. Sua personagem tem um olhar de obsessão, paranoia e inveja, capaz de assustar nas cenas em que castiga a filha (uma Fernanda Nobre regular). O resto do elenco é formado por jovens atores, rostos conhecidos em personagens pequenos nas novelas. Eles dão conta do recado, apesar de, em certos momentos, passarem um certo exagero em suas interpretações. Talvez seja todo esse contexto teatral, talvez tenha sido mesmo a intenção. No entanto, Pedro Nercessian, o Encrenca, se destaca como o vértice do humor. 


O personagem mistura citações de teóricos teatrais a declarações como “O povo é burro!”. Não de um jeito odioso, de vilania. Realmente transparece a indignação de um jovem que não se conforma com a sociedade em que vive, mas ainda está perdido sobre seu poder de fazer alguma coisa para mudá-la. Em uma análise realista, Léo e Bia talvez não se torne — infelizmente — uma obra passível de atrair multidões aos cinemas, aproveitando a leva positiva da bilheteria nacional. É um filme que precisa ser absorvido nas entrelinhas, em que o espectador precisa captar as metáforas presentes, do cenário ao figurino. Mas, uma vez que você acredita na história e se identifica, também, como um sonhador, fica bem mais fácil se emocionar. Estreia: 17 de dezembro.

Léo e Bia – 97 min
Brasil – 2010
Direção: Oswaldo Montenegro
Roteiro: Oswaldo Montenegro
Com: Paloma Duarte, Françoise Forton, Fernanda Nobre, Emilio Dantas, Vitória Frate, Pedro Nercessian, Ivan Mendes, Pedro Caetano



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  1. Esse filme é belíssimo.

    Apaixonei-me pela história, pelo elenco, pela vivacidade...
    Dá vontade de entrar no filme (:

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  2. Pena que nem todos os brasileiros tem cultura, para apreciar uma produção destas. Nada pop, nada americanizado menos ainda difundindo a violência ou a obsenidade. Intenso muito intenso.

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