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Com filmografia menos consistente que a do irmão Ridley Scott – que também não é lá grande coisa Tony Scott emprega em seus filmes o mesmo ritmo narrativo, o mesmo senso de humor, a mesma tentativa de humanizar personagens. Com o arcabouço facilmente identificável, seus filmes agradam ou não (na maioria das vezes) pelos mesmos motivos bom ritmo, mas previsibilidade nas alturas. Em Incontrolável, um trem desgovernado carregado de produtos químicos precisa ser parado para evitar um acidente de proporções trágicas com a iminente chegada do trem em uma cidade. O engenheiro Frank Barnes (Denzel Washington) e o maquinista Will Gordon (Chris Pine) são os encarregados de tentar parar a composição e evitar o acidente.

A narrativa é direta, o espetáculo fílmico é dominado pela trama central e não existe espaço para elaborações em torno de subtramas, as quais poderiam comprometer o foco da situação principal. Incontrolável desenha-se – a partir da conclusão desta primeira apreensão – como um filme sem outras aspirações além daquela que cumpre, porém, em termos. Divertir. O espectador é levado ao questionamento óbvio: Vão conseguir parar a composição e sagrarem-se heróis? Por outro lado o ritmo não é estabelecido de outra forma, além daquela cujo abuso nas convenções do gênero se fazem presentes. Os planos exageradamente curtos, os cortes abruptos e a inserção de sons externos (sirenes, explosões, trilhos se quebrando, composições explodindo) de maneira, por vezes, exagerada e desproporcional, almejam inserir o espectador na ambientação frenética e tensa




Mas tais recursos trazem a sensação de Deja Vu a quem assiste, pois é difícil não estabelecer uma relação com filmes como Velocidade Máxima e O Carro Desgovernado (talvez um dos campeões em exibição na Sessão da Tarde). O astro Denzel Washington incorpora mais uma vez o tipo durão, corajoso e ético, capaz de enfrentar poderosos para concluir seus objetivos na forma desejada, ao mesmo tempo em que é mostrado com um homem sensível que ama as filhas e com um passado triste, no qual a esposa morreu de câncer há quatro anos. Vale ressaltar a desnecessária guinada sentimentalóide da obra num dos piores clichês de todos os gêneros, quando Frank liga para uma das filhas só para dizer que a ama, depois pede para a filha dar o recado a outra; em seguida desliga o telefone sem outras explicações. 


Em outra ocasião, Will informa sua relação conturbada com a esposa e, em meio à tensão deliberada, Frank municia o colega com conselhos. É óbvia demais e por isso artificial a tentativa de contrapor a tensão com gotas de sentimentalismo, ou tornar os personagens menos unidimensionais. A ação é o que mais interessa. Neste caso, sim. O público de todos os gêneros torna-se a cada ano mais exigente. A consciência em torno dos lugares-comuns não os deixa alheios aos problemas encontrados com o abuso de situações manjadas que empurram o resultado final para a previsibilidade. Depois do filme, o resultado: alguns sorrisos e suspiros de tensão. Diversão esquecível. Incontrolável diverte? Sim. Diversão com sorriso amarelo. Estreia: 07 de janeiro de 2011.


Incontrolável  (Unstoppable) 98 min
EUA 2010
Direção: Tony Scott
Roteiro: Mark Bomback
ComDenzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Ethan Suplee, Kevin Dunn

 


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  1. Eu vi o filme e achei bom.... ...como passa tempo.
    Não é um filme para se ver no cimena, mas sim em casa em uma tarde chuvosa.

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