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Transcendence

Crítica - Filme Socialismo

2 de dezembro de 2010


As vanguardas impressionam, surpreendem, assustam e expulsam pessoas de uma sala de cinema. No mais recente trabalho de Jean Luc Godard, Film Socialisme, passageiros de um cruzeiro debatem sobre história, política e geometria, enquanto uma festa gravada com câmera doméstica transcorre. A família Martin recebe a visita de uma cinegrafista e uma jornalista. Por fim, um passeio com ilustrações históricas por Barcelona, Egito, Odessa, Palestina, Nápoles e Hellas. Numa espécie de ‘‘protesto filmado’’, discursos de ordem contra o sistema vigente, contra o capitalismo, contra o preconceito a outras etnias são ditos a todo momento. Não há, porém, ordem cronológica na proposta. Falar em narrativa fragmentada é pouco diante de uma obra que assusta e, por vezes, expulsa.

Sem ordenamento narrativo, Godard lança seu discurso na boca de variados personagens. Curiosamente, na retalhada legenda em português, somente aquelas que podem ser consideradas como “frases de efeito político são traduzidas. Um exemplo: uma garota conversa com a mãe na frente do espelho do banheiro quando, em certo momento, diz “Ter 20 anos ter razão, governo e medo”. A frase – que pode ser colocada em uma cartolina e levada para um protesto em praça pública –  poderia simbolizar o momento de preocupação da juventude francesa diante do atual quadro político e econômico do país. O presidente Sarkozy enfrenta crises de popularidade e recentemente várias manifestações, orquestradas principalmente pela juventude, assolaram o país diante do aumento da idade mínima da aposentadoria. Em outra sequência, uma criança com a camisa da União Soviética e empunhando algo que representa uma espada, berra dizendo que vai dá porrada em todos. Entre avisos quase panfletários, cortes abruptos. 

Uma cinegrafista com a câmera na mão dá a volta em torno da mulher preocupada com o ângulo da filmagem. A cinegrafista negra representa a voz de um povo “corrompido pelo sofrimento e humilhado pela liberdade como reflete a personagem negra do cruzeiro. Câmera na mão é poder, o poder de romper com o convencionalismo estético que qualificou a Nouvelle Vague como um dos principais movimentos cinematográficos da história. A filmagem representa o próprio movimento, o próprio Godard. Configurada auto-homenagem. Nos ambientes históricos, o corte documental é representativo. Disputas entre árabes e judeus, escadaria de Odessa, batalhas da guerra civil espanhola. Godard faz um recorte de conflitos para expressar que “A liberdade não se compra”. Fiml Socialisme é um posicionamento teórico, intelectual, frente às objeções do capitalismo, do totalitarismo, das opressões em suas variadas escalas. Em uma espécie de oposição à “Hollywood Meca do cinema inventada por judeus”, Godard subverte a noção de narrativa com um filme que confunde mais do que esclarece. Estreia: 03 de dezembro.

Filme Socialismo (Film Socialisme) - 101 min
Suíça, França - 2010
Direção: Jean Luc Godard
Roteiro: Jean Luc Godard
Com: Catherine Tanvier, Christian Sinniger, Jen Marc Stehlé, Patti Smith, Alain Badiou


Por: Bruno Mendes

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1 comentários:

Anônimo disse...

Ele está entre nós! 'GOD"ard nos dá seu Opus Magnum, tudo convergia para esse momento, a síntese de uma obra ímpar que...Basta! Você disse bem, "As vanguardas impressionam, surpreendem, assustam e expulsam pessoas de uma sala de cinema..." Só esqueceu de dizer que os filmes ruins também, Bruno, Esse é um filme ruim. E isso basta? Não, não basta. É um filme muito ruim... do Godard! Simples assim.

Isaac Ordous

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