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Depois do excelente Deu a Louca na Chapeuzinho (2005), agora é a vez de Rapunzel ter uma releitura moderna e bem humorada de sua fábula. Pena que a versão brasileira não funciona. São três as principais falhas da nova animação da Disney: a tecnologia 3D rende ótimas cenas de ação, mas não foi bem aproveitada, pois o longa se mantém quase totalmente em 2D; a narração de Luciano Huck é constrangedora. Parece que ele está apresentando um quadro do Caldeirão e, apesar de ter sido bem dirigido, sua dicção e tom de voz chegam a incomodar; e o roteiro tende ao gênero musical, com números desnecessários, daqueles em que os personagens explicam seus sentimentos por intermédio de canções a maioria bem chatinhas (ato falho, que desmerece a criação e abusa de clichês).

É uma pena, pois o filme tinha tudo para ser uma jóia. A animação parece uma mistura de Rapunzel, Robin Hood e Princípe da Pérsia, com uma bonita história e ótimos personagens, como um cavalo policial (meio bizarro, com características de cachorro), um bando de criminosos beberrões (ao mesmo tempo machões e sensíveis) e um camaleão que rouba a cena e proporciona os melhores momentos da animação. O par de Rapunzel é Flynn Ryder, um ladrão metido a Don Juan, que rouba como o Ethan Hunt de Missão Impossível, é procurado no reino como Robin Hood e salta telhados como o Princípe da Pérsia.



Após uma fuga bem sucedida, Flynn procura um esconderijo e acaba invadindo a torre de Rapunzel. Prestes a completar 18 anos, a menina nunca saiu de seu refúgio, mantido pela vilã que finge ser sua mãe, mas na verdade a sequestrou quando era bebê para ser a única usuária dos 21 metros de cabelos dourados mágicos que têm poder de cura e rejuvenescimento de Rapunzel. Na verdade, a prisioneira (esta seria uma melhor definição), é a princesa perdida homenageada todo ano na sua data de aniversário com balões que enfeitam o céu e fascinam a todos. O espectador principalmente o público infantil certamente irá torcer pela felicidade da menina, pois o roteiro não reserva espaço para surpresas inesperadas e deixa claro o papel de cada personagem.

Se você tiver opção de escolher qual cópia de Enrolados vai ver, não pense duas vezes e fique com a legendada. A versão dublada tem Luciano Huck !? como o mocinho ou melhor, anti-herói da história e, não bastasse assumir o papel masculino mais importante do longa, a narração também é dele. Não vejo problemas em não-atores interpretarem papéis importantes nas telonas, mas é impossível desassociar a imagem do apresentador do Caldeirão de Flynn Ryder principalmente nas cenas em que o personagem faz piada do cartaz de procurado com seu nariz tendo sido desenhado de forma "ligeiramente" avantajada. Só falta ele falar "Loucura, loucura, loucura". Estreia: 07 de janeiro

Enrolados (Tangled) - 100 min
EUA - 2010
Direção: Byron Howard, Nathan Greno
Roteiro: Dan Fogelman
Dublagem Original: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy, Ron Perlman, M. C. Gainey, Jeffrey Tambor, Brad Garrett, Paul F. Tompkins, Richard Kiel  



Por: Mattheus Rocha

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