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A comédia tem sido um dos gêneros que vem conseguindo manter o cinema brasileiro sustentável, levando os espectadores às salas escuras em busca de algumas risadas. É uma aposta segura (baixo custo de produção e estrelas conhecidas da TV) que tem se tornado tendência. Infelizmente essa profusão de novas comédias, talvez em busca do público cativo do dia-a-dia, traz um certo ranço televisivo extremamente desagradável, como se esquecesse de que se tratam de obras cinematográficas. E De Pernas Pro Ar não foge a esta situação. 

Estrelado por Ingrid Guimarães, a história acompanha uma executiva workaholic que sofre um colapso em sua vida e recebe a ajuda da vizinha proprietária de um Sex Shop (Maria Paula, em alguns momentos constrangedoramente ruins), numa jornada rumo a redescoberta do sexo em sua vida. Uma sinopse assim promete boas gargalhadas e o filme, auxiliado pelo talento de Ingrid, as fornece satisfatoriamente (a analogia da montanha russa com o orgasmo é digna de palmas entusiasmadas!). O problema está em todo esse contexto inserido num roteiro pré-fabricado, digno dos piores especiais tapa-buraco de fim de ano. 

São diálogos sofríveis, situações extremamente previsíveis, encontros e coincidências gratuitas, além daquela boa e velha lição de moral que transforma o protagonista. Assim, somos praticamente impedidos de apreciar o pouco que há de bom na tela. Claro que se você gosta deste tipo de história mastigada, com pitadas de piadas que todo mundo sabe o final, nada contra, vá em frente e se divirta (muitos se divertiram na sessão em que fui). Só me pergunto qual é a razão de se pagar por um produto que está disponível gratuitamente, toda semana, no conforto da sala de nossas casas. Prefiro economizar. Estreia: 31 de dezembro.

De Pernas Pro Ar - 107 min
Brasil - 2010
Direção: Roberto Santucci
Roteiro: Marcelo Saback, Paulo Cursino
Com: Ingrid Guimarães, Bruno Garcia, Maria Paulo, Antônio Pedro, Denise Weinberg, João Fernandes, Cristina Pereira, Rodrigo Candelot, Marcos Pasquim, Flávia Alessandra




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  1. Olá, Bruno
    lendo sua análise tive a exata impressão de ter assistido ao filme, pois é exatamente assim que imagino que ele seja: previsível, apenas "mais do mesmo", um dos muitos produtos que a Globo Filmes despeja no mercado. Nada contra comédias cuja intenção seja apenas nos fazer descontrair, mas observo na maioria das produções que apostam na fama de seus protagonistas, um forte cheiro de preguiça, sim preguiça de fazer algo com alguma criatividade.
    A propaganda maciça, garantida pelo controle da mídia, garante boas bilheterias e isso parece que basta aos realizadores. Uma pena, um desperdício.
    Não fui e nem irei ver.
    Abçs.

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