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Um casal vive feliz com seus quatro filhos em uma pequena vila na Austrália, mas a repentina morte do marido de Dawn (Charlotte Gainsbourg) devasta a família. Cada um reage à sua maneira e o sofrimento da mãe contrasta com a alegria de Simone (Morgana Davies), de apenas oito anos, que, demonstrando maturidade e coragem incomuns em crianças da sua idade, tenta encarar a perda de maneira positiva. Deixando o luto de lado, a pequena resolve se aventurar nas alturas da imensa árvore do jardim da casa e acredita ouvir a voz de seu pai saindo de dentro do tronco. "O espírito do meu pai entrou na árvore". 

Este fato inusitado dá vida nova à menina e a árvore que dá título ao filme se torna uma metáfora da relação da família O'Neil. O convívio e os conflitos familiares são sempre expostos tendo alguma conexão com a árvore ou com a natureza. São as raízes que invadem o quintal vizinho e comprometem a estrutura da casa, galhos que parecem querer dormir abraçados com Dawn, esperando apenas ela sair da cama para literalmente adentrar o quarto e esperá-la, rãs presas no encanamento do banheiro, um morcego que invade a cozinha...



Aos poucos, a jovem viúva tentará retomar seu equilíbrio com o trabalho e, talvez, com um novo amor. Mas a árvore se faz cada vez mais presente, como se quisesse dizer: "Eu ainda estou aqui". A força que protege e une a família tem raízes fortes e profundas e os laços do passado ainda  se mantêm fortemente amarrados. Será possível seguir em frente sem deixá-los para trás? O sofrimento reprimido de Dawn, que precisa se manter inteira para cuidar de seus filhos e de si mesma rende uma grande atuação de Charlotte Gainsbourg, mas a atriz mirim Morgana Davies rouba a cena. Simone é o elo de ligação entre a família e a árvore. Por isso, se sente na responsabilidade de fazer de tudo para protegê-la, até mesmo arriscar sua própria vida.

O roteiro quebra a naturalidade do filme em alguns momentos, com desnecessários diálogos autoexplicativos, mas que não chegam a comprometer a obra como um todo, já que as ótimas atuações, a bonita trilha sonora e a riqueza visual são dignas de admiração. As belíssimas imagens são captadas por uma fotografia que valoriza os cenários e locações, dando um significado poético à trama. A Árvore é um filme tão bonito, que cada frame parece uma obra de arte, um quadro repleto de significados, com locações, ao mesmo tempo, lindas e melancólicas. Filme para ser visto e contemplado na telona. Estreia: 07 de janeiro de 2011.

A Árvore (The Tree) - 100 min
França, Austrália - 2010
Direção: Julie Bertuccelli
Roteiro: Julie Bertuccelli, Elizabeth J. Mars - Baseado na novela de Judy Pascoe
Com: Charlotte Gainsbourg, Morgana Davies, Marton Csokas, Christian Byers, Tom Russell, Gabriel Gotting, Aden Young



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