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Em sua estreia como diretor de longa-metragens, Márcio Garcia ficou à vontade para abusar dos clichês. Decidindo juntar o formato comédia romântica americano com personagens caricaturais que forçam o riso, no melhor estilo Zorra Total, o diretor não conseguiu produzir um resultado interessante. A história de Amor por Acaso (Bed and Breakfast no original) gira em torno da disputa de posse de uma propriedade na Califórnia (EUA), entre o americano Jake - o Superman Dean Cain - e a brasileira Ana - Juliana Paes, de A Casa da Mãe Joana (2008). Jake recebe a propriedade de herança de uma velha amiga e Ana, a parente mais próxima da dona falecida, tem direito sobre o imóvel. 

As justificativas que levam Ana à Califórnia não dão peso dramático e acabam dispensáveis à história, já que qualquer pessoa que recebesse uma propriedade de herança iria ao local para ficar ou providenciar a venda do imóvel. Jake é o clássico cara-bacana que tem amor pelo lugar que transformou numa pousada para ganhar a vida, naquela região rodeada de vinhedos. O ator dá conta do seu personagem e consegue nos fazer esquecer que ele já foi o Clark Kent. Juliana Paes é Juliana Paes a maior parte do tempo e a decisão de fazê-la falar inglês com uma entonação parecida com a dos americanos tornou sua atuação artificial.


Voltando ao nosso mais novo diretor, Márcio Garcia pecou pelo excesso ao mostrar as curvas de Juliana Paes incessantemente, como se dirigir um filme fosse um ato de voyeurismo vulgar, chegando ao cúmulo de fazer um cena em que Juliana sobe uma escadinha, no melhor estilo Zorra Total. Os demais personagens que compõem a parte cômica da história têm tanta graça quanto aqueles personagens do programa de TV que citei e a história se arrasta para um clímax previsível e não empolgante.  

Márcio Garcia, da próxima vez, poderia pelo menos utilizar melhor os clichês, como aquele clima irresistível que uma boa comédia romântica tem, que, mesmo previsível, comove e te segura na poltrona, além de um humor mais malandro e debochado, que os brasileiros sabem bem fazer. Ah, é bom também alguém dizer para ele que todos nós já conhecemos os atributos físicos da Juliana Paes e que vender a mulher brasileira como um objeto sexual para o mundo é algo que já deveria ter sido superado. Estreia: 10 de dezembro.

Amor por Acaso (Bed and Breakfast) - 80 min
Brasil, EUA - 2010
Direção: Márcio Garcia
Roteiro: Leland Douglas
Com: Juliana Paes, Dean Cain, Eric Roberts, John Savage, Kimberly Quinn, Julia Duffy  




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  1. Sinceramente, você tem razão sobre o inglês dela.
    Foi forçar demais.

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  2. de fato,ela é apenas um objeto sexual

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  3. não é nenhum filme memorável ou um sublime exemplo da sétima arte, mas não era essa a intenção pelo que me parece, então achei suficientemente simpático. eu assistiria com o meu namorado e ficaria feliz.

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  4. Yumi, respeito sua opinião. Mas, juro, no meio do filme, eu me perguntava: quando isso vai terminar??? Quando sinto isso no meio de um filme, é porque, pra mim, não deu liga.
    Acho que o Márcio errou a mão na mistura e, ao invés de um filme simpático, como poderia ter sido, ele produziu uma colcha de clichês e caricaturas descusturada.

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  5. olha so o povo falando mal do ingles da juliana paes mas tenho certeza que esta muito melhor que o ''the book is on the table'' de cursinho de mta gente achei que ela ta com um ingles mto bom ate pra personagem q ela interpreta. e o filme é so umas dakelas comedias romanticas cheias de cliche q passam na tarde de sabado na globo

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  6. de fato, ela é apenas um objeto sexual [2]

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  7. Veja bem, não disse que o Inglês dela é ruim. Só acho que a tentativa de fazê-la falar bem o Inglês, assim como falam os americanos, fez sua interpretação ficar artificial. Eu não imaginaria alguém que nunca foi nos EUA falando tão fluentemente. A meu ver, ficaria mais realista se ela falasse um Inglês menos certinho.
    E sim, é uma daquelas comédias-românticas que passam na sessão da tarde. Daquelas ruins. rs

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  8. Amor por Acaso foi bem apresentada ao cinema nacional, quando vemos o filme sentimos dispertar a nossa criatividade e nossa visão com a lógica do profissionalismo do cinema americano com o cinema nacional.O final do filme foi muito bem criado com jogo de produção onde aparecem lindas borboletas laranjas.

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