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Os filmes que exploram o último trabalho de um assassino profissional (às vezes policial) prestes a se aposentar, gênero saturado pelo cinemão Hollywoodiano, ganham uma sobrevida com esta obra de Anton Corbijn, de Control (2007), a bela e melancólica cinebiografia de Ian Curtis, vocalista do Joy Division. O talentoso diretor deixa a pancadaria, tiros, correria e pipoca de lado para oferecer uma leitura intimista do cotidiano de um homem misterioso (George Clooney). Só se sabe que ele é americano (The American, no título original), que está refugiado na Europa e que querem matá-lo.

Não sabemos seu passado, seu nome verdadeiro e ficamos em dúvida até em relação à sua profissão. Pela sua extrema habilidade com as armas, não se sabe se ele é um assassino profissional ou apenas um artesão que tem como ofício criar de armas de fogo - pode ser que seja um pouco de cada. Conhecemos seu contratante, mas qual seria a relação dos dois? O que Jack (ou seria Edward?) fez em seu passado? Sua frieza cruel é exposta logo na primeira cena. A neve sueca dá o tom de sua solidão, mas suas motivações são ocultas e expostas sem pressa, em detalhes suaves. 

Sua fuga para a Itália, a relação superficial com seus novos vizinhos e seu último trabalho são mostrados sem pressa, no visualmente poético estilo europeu - a câmera de Corbijn lembra muito a de Antonioni em diversos momentos (a pegada vintage e a fotografia elegante fazem belas referências a grandes cineastas). Jack/Edward quer apenas viver o presente. Nada mais. Vê-se na figura do padre (Paolo Bonacelli) que o bem e o mal são relativos, em excelentes, porém breves, diálogos. O roteiro só responde questões essenciais à trama e a narrativa é lenta, o que pode desagradar ao grande público, mas Um Homem Misterioso é um grande filme. Estreia: 19 de novembro.

Um Homem Misterioso (The American) - 105 min
EUA - 2010
Direção: Anton Corbijn
Roteiro: Rowan Joffe - Baseado no romance de Martin Booth
Com: George Clooney, Irina Björklund, Johan Leysen, Paolo Bonacelli, Giorgio Gobbi, Thekla Reuten, Violante Placido, Filippo Timi



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  1. Esta na minha lista de filmes a serem assistidos!!Ótimo Post!!

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  2. Assisti o filme recentemente e achei bem interessante.

    Adorei a direção de Anton Corbijn, o ritmo lento e a maneira como enquadra as cenas. A primeira cena já é impressionante (spoiler).

    E George Clooney vem fortalecendo sua imagem no cinema como um dos atores mais consistentes dos últimos anos.

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