1


O melhor piloto de todos os tempos completaria 50 anos em 2010, não fosse o acidente fatal durante o GP de San Marino de 1994. Ayrton Senna é o objeto de estudo deste documentário impecável e emocionante sobre a carreira do tricampeão da Fórmula 1 e o amadurecimento de um jovem talento que se tornou um ídolo, não só brasileiro, mas mundial. As cenas do gênio do automobilismo em ação se alternam com entrevistas - não só dele e de seus familiares, mas também de importantes personalidades da F1 - e cenas históricas de bastidores, incluindo as tramoias políticas de Balestre (ex-presidente da FIA) e a rivalidade com Alain Prost

Fora das pistas Senna era um garoto tímido, mas, com a experiência, foi ganhando força até para enfrentar o autoritário Balestre. Pelas câmeras instaladas em sua McLaren, quem se lembra dele pilotando, nota que a competição era muito, mas muito mais emocionante do que hoje. Quando chovia, não tinha pra ninguém. Senna era tão melhor que a antes unanimidade Prost, que o francês chegou a reclamar que o brasileiro não queria apenas vencê-lo, mas humilhá-lo - o que não é verdade. Senna queria era acelerar cada vez mais, pois sentia uma espécie de nirvana pilotando, sentia que se conectava a Deus.

Sua rivalidade com Prost parecia a de Vasco e Flamengo no futebol, dando uma publicidade até então inédita ao circo da F1. Era um duelo que se tornava uma atração internacional. Nos quatro cantos do mundo, Senna era aclamado por seus fãs e admiradores. O duelo com seus antagonistas Prost e Jean-Marie Balestre e a politicagem e dinheiro que rolavam nos bastidores do circo foram tirando a magia que Senna sentia pela F1. Inclusive, era para ele ter sido tetracampeão, não fossem as tramoias políticas de Prost e Balestre, que invalidaram uma vitória legítima de Senna em 1989.




Fica clara sua insatisfação com o circo. Ele chega a abandonar uma reunião, dizendo que a decisão de 1989 tinha sido uma piada. Sua saudade dos tempos de kart o fazem lembrar de que aquilo sim era uma corrida de verdade. Quem ganhava era o piloto, não a política. A ótima trilha sonora de Antônio Pinto - de Abril Despedaçado (2002) - dá tons épicos às vitórias de Senna - como aquela heróica no GP Brasil de 1991 - e emoção às suas reflexões sobre a vida futura e o perigo da morte. Uma cena que chega a ser cômica é quando Galvão Bueno diz que Senna é o campeão, e Rubinho, em início de carreira, seria o futuro campeão.

O documentário também mostra brevemente seus relacionamentos com Xuxa e Adriane Galisteu, alguns momentos de lazer e a preocupação que tinha com a situação difícil que o Brasil enfrentava no início da década de 1990. O saudosismo, a competição e alguns episódios engraçados dão lugar a um tom de melancolia, quando Senna assina com a Williams e chega ao GP de San Marino de 1994 triste e com um ar de preocupação diferente, como se prevesse alguma coisa. O melhor piloto de todos os tempos defendia melhores condições de segurança no circo e, após sua morte, não houve nenhum acidente fatal na F1. Documentário imperdível para os admiradores do automobilismo e de Senna. Estreia: 12 de novembro

Senna (Senna) - 90 min
Reino Unido - 2010
Direção: Asif Kapadia
Roteiro: Manish Pandey
Entrevistas: Reginaldo Leme, Richard Williams, John Bisignano, Pierre Van Vliet, Alain Prost, Ron Dennis, Frank Williams, Neyde Senna, Vivane Senna, Professor Sid Watkins



Por: Mattheus Rocha

Share |

Postar um comentário

  1. Grande senna,pena que morreu pq essa cara era foda

    ResponderExcluir

 
Top