3


Se A Rede Social contasse a história da criação de uma imobiliária ou de uma fábrica de carros, e não do Facebook, não teria a menor graça. Apesar de não ser um filme especificamente direcionado ao público geek, e ter interessantes elementos dramáticos sobre escolhas, prioridades, relacionamentos e, principalmente, ambição, não acredito que quem não esteja familiarizado com redes sociais e web 2.0 entre na história. O roteiro é dinâmico e alterna a linha do tempo entre a criação da rede mais famosa do mundo e os acordos extrajudiciais que Mark Zuckerberg teve que enfrentar, à medida em que o Facebook crescia. "Você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos".

Dizem que um gênio reconhece outro gênio. Consequentemente, um gênio reconhece quem não é um gênio - ou seja, a maioria dos meros mortais, que não terão seu nome gravado na história (ou apenas terão papéis coadjuvantes). A arrogância e a prepotência são duas das características mais marcantes de Mark (o ótimo e cada vez mais maduro Jesse Einsenberg, de O Solteirão e Zumbilândia, ambos de 2009). O nerd de Harvard leva um pé na bunda de sua namorada (não por ser um nerd, e sim por ser um babaca, segundo ela) e resolve afogar as mágoas em seu quarto na faculdade, junto com garrafas de cerveja e, claro, blogando e programando.


Despejando seu veneno contra sua recente ex-namorada, Mark tem a ideia de hackear fotos de todas as mulheres da universidade e criar um site interativo. O sucesso foi tanto naquela fria madrugada de 2003, que o gênio da programação se tornou uma espécie de celebridade nerd. Além disso, ele também foi suspenso de frequentar aulas por um semestre inteiro. A ideia de criar uma rede social evolui e, com a ajuda de seu melhor amigo - Eduardo Saverin (
Andrew Garfield) -, faz o que parecia ser uma brincadeira de estudantes se tornar, em apenas seis anos, a rede social mais famosa do mundo, que hoje conta com mais de 500 milhões de usuários em 207 países e tornou Mark o mais jovem bilionário da história.

A direção de David Fincher - do genial e filosófico Clube da Luta (1999) - é ótima e a forma como encara
o conflito entre negócios, amizade, obsessão e luta de egos é muito bem estruturada. Um detalhe interessante é a participação de Justin Timberlake, como o criador do Napster (aquele programa de downloads de música que abalou as estruturas do mercado fonográfico, lembra?), que exerce uma influência e fascínio incomuns sobre Mark. A cena final de A Rede Social é muito boa e me fez lembrar do excelente episódio Facebook, do South Park (vale a pena uma conferida - logo abaixo do trailer do filme). Estreia: 03 de dezembro.

A Rede Social (The Social Network) - 121 min
EUA - 2010
 

Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin - Baseado no livro de Ben Mezrich
Com: Jesse Einsenberg, Rooney Mara, Bryan Barter, Dustin Fitzsimons, Joseph Mazzello, Patrick Mapel, Andrew Garfield,
Justin Timberlake





Por: Mattheus Rocha

Share |

Postar um comentário

  1. Bom post, Mattheus. O filme é excelente e bem dirigido. A imagem do criador principal do Facebook acho que saiu bastante desgastada devido a esse filme.

    ResponderExcluir
  2. Criou-se uma expectativa tão grande sobre esse filme, que nem sei mais se tenho interesse em assisti-lo.

    A coisa boa é saber que David Fincher está no comando, o que já é uma coisa surpreendente. Se servir como fator documental, de repente podemos ter uma obra-prima, quem sabe. Ainda não assisti, e talvez até demore para fazer isso, mas não aposto minhas fichas não....

    Abs!

    ResponderExcluir
  3. O filme é excelente e o roteiro é impecável.
    Também gostei muito do elenco, todos tiveram ótimas performances até mesmo o inesperado Justin Timberlake.

    Acho que não tem muito o que falar de Fincher, é um dos melhores cineastas dessa geração e apesar de ter adorado seu trabalho em A Rede Social, não acho que esse foi o seu melhor trabalho até hoje.

    http://peliculacriativa.blogspot.com/2010/12/review-social-network.html

    ResponderExcluir

 
Top