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Até que enfim o ótimo coadjuvante Danny Trejo faz um protagonista. E demorou bastante. Exatos 66 anos !!! Mas não poderia ser em um melhor filme. Machete é o Kill Bill de Robert Rodriguez e o papel da vida de Trejo. Depois do enorme sucesso do trailer fake exibido no projeto Grindhouse (2007), o amigo de Tarantino resolveu dar vida ao roteiro que escreveu no longínquo ano de 1995. Por ser uma homenagem aos filmes B dos anos 70, Machete é uma obra que não pode ser levada a sério. Tudo é exagerado, mas de forma proposital, o que faz até as cenas ultraviolentas serem encaradas como grandes piadas.

A homenagem ao cinema underground conta com qualidade e recursos mainstream, o que resulta em uma excelente recriação da estética setentista de filmes B, com cuidadosa direção de arte e ótima fotografia - envelhecida e amarelada em diversos momentos. A cena inicial, mostrando um Machete com sua característica fúria inconsequente e sede por sangue, é memorável. Os personagens e situações são estereotipados a tal ponto que ganham tons surreais, com o poder de deixar os cinéfilos mais saudosistas embasbacados com a qualidade da recriação caricatural

Além de Super Trejo como Machete, o elenco tem a pluralidade como característica principal e adquire uma sinergia incomum entre atores de tão diferentes estilos - méritos da direção de Rodriguez. Astros consagrados dando um show (como Robert De Niro vivendo um senador xenófobo e o grande Cheech Marin como um padre um tanto quanto... diferente), em papéis inusitados (como Steven Seagal pela primeira vez como um vilão), de qualidade questionável, mas que não chegam a comprometer (como Lindsay Lohan em um papel que não foge muito de sua vida particular), representantes do cinema B (como Tom Savini) e queridinhas do público masculino (Jessica Alba e Michelle Rodriguez) vivem os personagens de Machete.


Os conflitos de todos eles são derivados da tensão na fronteira México - Texas. O agente federal mexicano Cortez (vulgo Machete) não aceita entrar no esquema do traficante de drogas Torrez (Steven Seagal) e, como resultado, sua família é morta. O chicano entra como imigrante ilegal nos EUA e se torna uma lenda no México. Mas, no Texas, se envolve em uma perigosa tramoia política e é com sua lâmina afiada (em espanhol, sua alcunha quer dizer facão) que Machete irá buscar uma dupla vingança. O cara é old school, não quer saber de metralhadoras e pistolas.

O conflito entre imigrantes chicanos ilegais e a polícia texana de fronteira e as referências à política nacionalista ultra conservadora são interessantes e bem colocadas, dando densidade à enxurrada de clichês do gênero, não tornando Machete uma obra superficial e dando um ar mais profundo ao que poderia ser apenas uma simples homenagem à estética do cinema B setentista. E essa homenagem tem direito a ultraviolência, banhos de sangue e carnificina, com Machete distribuindo decapitações a torto e a direito. O cara luta tão facilmente quanto respira. Destaco a fuga do hospital, com cenas espetaculares !!!

Além de cenas memoráveis e um personagem principal totalmente fora dos padrões hollywoodianos (oferecendo uma saída à mesmice), Machete também tem ótimos diálogos e frases de efeito impagáveis. "Machete não manda SMS". "Machete improvisa". "Deus tem misericórdia. Eu não". É um digno representante daquele cinema de macho, com muito sangue e violência, mas, sobretudo, é uma obra para cinéfilos, devido à sua contextualização "cinema feito por cineasta cinéfilo em homenagem a filmes B". Machete é Robert Rodriguez em sua melhor forma. Espero que Machete Kills e Machete Kills Again saiam do papel. Estreia: 10 de dezembro.

Machete (Machete) - 105 min
EUA - 2010
Direção: Robert Rodriguez, Ethan Maniquis
Roteiro: Robert Rodriguez,Álvaro Rodríguez
Com: Danny Trejo, Robert De Niro, Jessica Alba, Steven Seagal, Michelle Rodriguez, Jeff Fahey, Cheech Marin, Don Johnson, Shea Whigham, Lindsay Lohan, Tom Savini



Por: Mattheus Rocha

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