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Resolvi fazer este texto porque me xingaram muito no Twitter e eu achei isso uma puta falta de sacanagem. O motivo? Não gosto de The Runaways, de Miley Cyrus, da Saga Crepúsculo etc. Eu queria entender o seguinte: por que fãs xiitas de determinados filmes, bandas, atores ou atrizes não suportam que outras pessoas não tenham o mesmo gosto que eles? Alguém é obrigado a gostar de alguma coisa? Além de literalmente me xingarem nos comentários - não foi à toa que passei a moderá-los -, alguns descerebrados chegaram ao cúmulo de questionar minha honestidade, afirmando que eu desconheço as bandas que citei no post sobre a cinebiografia The Runaways - Garotas do Rock. Bandas que eu não só já ouvi muito, como ainda ouço.

Outros disseram que sou ridículo e que minha mãe tem um profissão de moral duvidosa e questionável. Uma fã de Miley afirmou que a Hannah Montana é um gênio e que, por não gostar do trabalho dela, eu tenho um QI abaixo de zero. Outra garotinha disse que sou preconceituoso por não gostar da Saga Crepúsculo. Mas eu não baseio meu gosto em preconceitos, e sim em conceitos. Deve-se levar em conta que críticas são opinativas e baseadas no gosto pessoal, na visão estético-artística e na bagagem cultural da pessoa que escreve. Além disso, a imparcialidade é inatingível. Então, pra que disfarçar? Pra agradar um ou outro? Não acho legal... Quem não concorda com alguma opinião, faz melhor se calando ou apresentando algum argumento inteligente para ser debatido, do que sair xingando e acusando com uma metralhadora que cospe vulgaridade e desconhecimento.

A análise de uma obra cultural - seja artística ou apenas um produto da indústria (algumas vezes uma união dos dois) - é subjetiva, portanto não há como estabelecer regras. É, no mínimo, incoerente afirmar que uma pessoa deve gostar de determinadas bandas e filmes para entender de música e cinema. Isso não faz o menor sentido. É tão inteligente falar que quem não gosta de Crepúsculo não entende nada de cinema quanto dizer que dois mais dois são cinco (a não ser que falemos da música do Radiohead e passemos a discutir filosofia). É tão inteligente falar que quem não gosta de The Runaways não entende nada de música quanto dizer que o Kiko vai conseguir ganhar uma bola quadrada do Professor Girafales.

Reconheço a importância das fugitivas terem sido a primeira banda feminina de Rock, mas o fato dela ser historicamente relevante não quer dizer que eu tenha que achar que as garotas fazem uma música de qualidade ou que são naturais e nem um pouco apelativas. não costuma analisar os fatos com sabedoria. Ele deixa a paixão falar mais alto e parece que quando alguém critica seu ídolo é como se batesse em um filho seu. Às vezes chega a ser bizarro. Quase vejo pessoas (algumas até inteligentes, por incrível que pareça) colocarem outras pessoas - comuns como elas - em altares e se ajoelharem, pedindo a benção (apenas por serem famosas). Por isso que nem gosto de usar a palavra fã. Me lembra fanatismo. E nenhum fanatismo é saudável.

Lembro que na época em que Chimbinha foi eleito o melhor guitarrista do ano no VMB, fiz uma crítica da Banda Calypso e questionei o fato do cara ter tocado na banda dos sonhos, junto com João Barone, Bi Ribeiro e Marcelo D2. Aliás, questionei também a qualidade dos representantes mais famosos do carimbó paraense (que é bem mais interessante do que Calypso, por sinal). Perdi a conta de quantas vezes fui xingado. O argumento menos idiota que usaram foi: "Se Calypso fosse tão ruim como você fala, não vendia tanto". Se formos pensar assim, Tati Quebra Barraco, Restart, Cine, Bond da Stronda - entre outras "pérolas da música brasileira" - são grandes artistas.

Mas, afinal, o que é bom e o que é ruim? O que deve ser debatido é como avaliar quando um produto cultural é bom e quando não é. Como este site é dedicado a cinema, falemos da sétima arte. É claro que não há como fugir de lançar mão de um juízo de valor, que, algumas vezes, pode nos levar a conclusões diferentes das dos leitores. Mas, para bons cinéfilos (aqueles que não só gostam, mas também estudam sobre sua arte preferida), aspectos técnicos que devem ser levados em conta não são tão difíceis de serem analisados. É perceptível quando um roteiro, uma direção, uma atuação etc. de determinado filme tem qualidade ou não. Se a obra vai nos emocionar e mexer com nossos sentimentos é outra história e depende de fatores sócio-culturais, psicológicos, de experiência de vida etc.

Podemos separar da seguinte forma: a razão é a parte técnica de um filme; a emoção é como a história vai ser assimilada. Muitas vezes, a emoção domina a razão. E é nesse ponto que algumas pessoas não admitem ver uma opinião diferente das suas, mesmo que elas tenham cabimento.

Por: Mattheus Rocha

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  1. Por essas e outras q eu não tenho paciência para o raciocínio adolescente desta década! Estão cada vez mais perdidos, psicologica e emocionalmente!

    Suas opiniões consistentes fazem o diferencial desse blog!

    [Também]Adoro isso em você!
    [Também]Sou apaixonada por seu cérebro!

    Um beijo da fã nº 1! ;)

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  2. Vejo que alguns adolescentes e jovens sentem medo de opinar. São levados pelo modismo e pela decisão da maioria. E não falo só do "mundo pop", no meio alternativo também. O que se vê muito por aí são os pseudocults. Conheço pessoas que detestam o Godard, mas já vi rasgar elogios dele numa roda de cinéfilos. É complicado.

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  3. Também detesto esse fanatismo desmedido. Gostos não se discutem, já dizia minha avó, e isso significa que TODOS tem o direito de manifestar sua opinião seja ela qual for,sem ofender aqueles que discordem, claro.
    E o respeito, cadê? Desde quando é proibido nadar contra a correnteza, discordar da opinião da massa?
    É isso aí, Matheus! É proibido proibir! Quem não tem argumento, é melhor ficar de boca fechada para não falar bobagem!

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  4. "É tão inteligente falar que quem não gosta de The Runaways não entende nada de música quanto dizer que o Kiko vai conseguir ganhar uma bola quadrada do Professor Girafales." ri horrores dessa parte...mas vc tá certo, se não estão satisfeitos com a crítica, simplesmente, rala...

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  5. Eu já me cansei de modas e gostos que atingem as massas,coisas que não fazem uma mudança relevante nos pensamentos dos jovens...É só ficção,e infelizmente é a unica coisa que as crianças de hoje querem acreditar.(Me refiro a Crepúsculo..e a série de Miley).

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