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Tropa de Elite 2 não é "um soco no estômago da sociedade", como inúmeras pessoas têm falado. Um filme que retrata (aparentemente) em forma de ficção uma realidade mais do que conhecida não pode ser classificado como uma denúncia ou um projeto extremamente inovador em seu conceito. É forte, coeso, corajoso, questionador e uma grande obra do cinema nacional. Sem dúvidas, a melhor do ano. O inimigo agora é outro: a milícia. Mas este inimigo da sociedade e, particularmente, do ex-capitão Nascimento (Wagner Moura), agora sub-secretário de segurança do Estado, já é manchete de jornais há tempos. 

Parece que as pessoas se esqueceram que este assunto já está na mídia, tratando o tema do filme como novidade. Não é. É apenas nas telonas. Além do controle de comunidades carentes por policiais corruptos, o roteiro de José Padilha, Bráulio Mantovani e Rodrigo Pimentel (ex-integrante do Bope e comentarista do RJTV) analisa a corrupção do Estado como um todo, a banalização da violência, a compra de votos, as tramóias políticas e a queima de arquivos. E pior do que isso: mostra Nascimento com as mãos atadas, frente à impossibilidade de se alterar um sistema sujo e corrupto

Para alguns, o Rio de Janeiro é praticamente sinônimo de violência, corrupção e descaso do Estado. Claro que as belezas naturais são inquestionáveis e outras capitais também apresentam problemas semelhantes com a insegurança, mas é triste saber dos esquemas de violência e corrupção. O que é difícil de conceber é ver pessoas que vivem esta realidade saírem da sessão dizendo: "Oh! Não sabia que era assim"... Façam um favor a vocês mesmos e se informem sobre a cidade, o estado e o país em que vocês moram.



Os diálogos do filme são sensacionais e a presença de personagens com uma pegada cômica tira a tensão em certos momentos do filme, para o público poder respirar aliviado e se preparar para a próxima dose de tensão. André Mattos (em personagem levemente inspirado no apresentador de TV e deputado estadual Wagner Montes) e Milhem Cortaz (Capitão Fábio) dão um show em suas atuações, assim como Irandhir Santos - de Quincas Berro D'Água e Olhos Azuis -, que, na pele de um ativista dos direitos humanos, se consolida como um dos melhores atores do cinema nacional. Já Nascimento, agora separado e com um filho adolescente, tem outros problemas pra se preocupar, além de combater a violência.

A sequência de Tropa de Elite (2007) reflete o amadurecimento do diretor José Padilha, tanto como cineasta quanto como cidadão, aprofundando e mudando o foco da discussão levantada no primeiro filme, mergulhando até as entranhas dos problema sociais que, não só o Rio de Janeiro, mas o país inteiro enfrenta. Tropa de Elite 2 tem menos doses de ação, mas nem por isso deixa de ser tão ágil quanto o primeiro. É praticamente impossível piscar os olhos em certas cenas, de tão bem finalizadas e reais que são.

Tropa de Elite 2, o Inimigo Agora é Outro - 115 min
Brasil - 2010
Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha, Bráulio Mantovani, Rodrigo Pimentel
Com: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Maria Ribeiro, Seu Jorge, André Mattos, Emílio Orciollo Neto, Milhem Cortaz, Tainá Müller


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  1. Ainda não assisti, mas só ouvi elogios desse filme.

    Padilha já mostrou com o primeiro Tropa de Elite que a discussão vai além da violência escrachada nos morros cariocas e tenho quase certeza que, com essa obra, ele consegue ser mais atual do que nunca no assunto segurança pública.

    Abs!

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  2. Muito bom seu site e uma crítica muito correta. O filme choca por mostrar a verdade nua e crua.
    Claro que sabemos que existem milícias, que o tráfico é controlado pelos políticos, porém é muito mais fácil fechar os olhos.
    Excelente =)
    Gabriela
    P.S. Coloquei um link no meu blog.

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  3. Aplausos para Tropa de elite 2, o filme é muuuuuuito bem feito, é bem melhor que o primeiro, e consegue facilmente prender a atenção do público.
    Apenas vendo o filme, percebi que nó brasileiros, e principalmente nós cariocas, estamos ferrados, isso para não dizer outra coisa.
    O filme me deixou com um sonho, que acho ser impossível: ver um dia, um deputado como o Fraga.
    Me emocionei e me impressionei bastante com a situação do Brasil,e uma coisa lhe digo: o sistema é mesmo foda.

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