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O amor do casal Saramago é retratado pelo diretor português Miguel Gonçalves Mendes, que registrou o cotidiano de José Saramago e Pilar del Rio, sua esposa, na casa deles em Lanzarote, arquipélago das Ilhas Canárias. As filmagens duraram 4 anos. O ponto de partida é a produção do penúltimo livro do escritor, A Viagem do Elefante, resultando em um filme comovente, que nos revela outro Saramago, que é tão necessário ser conhecido quanto a sua obra literária.

Seria lugar comum se o filme focasse apenas na figura de Saramago. A força está na equação José + Pilar, uma jornalista bela e inteligente e o grande amor de sua vida. O documentário acompanha o dia-a-dia do casal e também o incansável trabalho do escritor pelo mundo. Uma frase dita no filme mostra a importância de Pilar em organizar esse caos: “Eu tenho ideia para novelas, ela tem ideias para a vida”.

O diretor e roteirista Miguel Gonçalves Mendes conta em entrevistas que insistiu muito para que Saramago permitisse as filmagens. Mas em nenhum momento o filme é evasivo. Tudo flui com uma sinceridade tocante. Há momentos que destaco, como a leitura que Saramago faz junto com o ator Gael Garcia Bernal do texto Intermitências da Morte, a internação de Saramago, a sessão do filme Ensaio Sobre a Cegueira - ao lado do diretor Fernando Meirelles - e a dedicação do escritor em terminar A Viagem do Elefante.

Saramago faleceu em 18 de junho deste ano. Por já sabemos o final desta história, o filme ganha  um tom de despedida. Mas também o de esperança. Saramago, um homem ateu, inicia e termina o filme com a seguinte frase: “Pilar, vamos nos encontrar em outro lugar”. José e Pilar tem entre seus produtores nomes como Augustín Almodóvar e Fernando Meirelles, além de co-produção da brasileira O2 Filmes. Estreia: 05 de novembro.

José e Pilar - 125 min
Portugal, Brasil, Espanha - 2010
Direção: Miguel Gonçalves Mendes
Roteiro: Miguel Gonçalves Mendes


Por: Tais Carvalho

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