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Para Elizabeth Gilbert - autora do best seller que originou o filme - ir atrás do seu sonho é coisa séria. Repórter colunista de um caderno de viagens em Nova York, deixou toda a sua vida de lado para viajar o mundo, na esperança de se encontrar. Os relatos de sua jornada fizeram tanto sucesso que a deram um lugar no cinema, com direito a ser interpretada pela estrela Julia Roberts. O trailer me instigou a ver aquela "comédia romântica" (ou pelo menos eu achava que era) que  tem como galã ninguém menos que Javier Bardem, ponto sempre positivo. 

Mas quando as luzes apagaram e a projeção começou, senti que o filme não engrena. Falta  um clímax. Tive a sensação de que o diretor Ryan Murphy - das séries Glee e Nip/Tuck - não foi feliz ao adaptar o livro para o cinema. Comer, Rezar, Amar não passa de exatamente duas horas e treze minutos de conflitos pessoais de alguém perdido, que passa por diversas situações em lugares fantásticos. E, para aumentar minha decepção, Javier Bardem aparece só na última estância do filme (amar), interpretando um brasileiro que foi morar fora aos vinte anos, com um português de quem apenas decorou as falas para gravar.

Devo parabenizar a fotografia de Robert Richardson (ganhador do Oscar por O Aviador). Passando pela Itália para colocar em prática a parte do "comer", podemos visualizar lugares típicos, a cultura e beleza deste país. O mesmo se aplica ao "rezar", na Índia. Confusão, cores, ruas cheias, trânsito de pessoas e elefantes, pobreza... tudo que a TV brasileira se poupou de mostrar nas novelas dedicadas a este país. E, por último, e nesse caso, menos importante, o "amar", na Indonésia. A única coisa que salva são as paisagens.

Ainda estou esperando aquela comédia romântica que entrei na sala do cinema para assistir. Não encontrei Javier Bardem na sua melhor forma, e muito menos o seu português. Apesar de ter como protagonista a Julia Roberts, não foi possível  segurar a atenção por muito tempo. Para quem quer fazer um passeio turístico sem gastar muito dinheiro, recomendo Comer, Rezar, Amar. Mas, para qualquer outro tipo de objetivo, como um bom entretenimento, aconselho que fique apenas no trailer.

Comer, Rezar, Amar (Eat Pray Love) - 133 min
EUA - 2010
Direção: Ryan Murphy
Roteiro: Ryan Murphy, Jennifer Salt - Baseado no livro de Elizabeth Gilbert
Com: Julia Roberts, James Franco, Richard Jenkins, Viola Davis, Billy Crudup, Javier Bardem



Por: Alice Pavan

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  1. Verdade. Eu particularmente adoro o livro porque a autora descreve conflitos muito atuais à mulheres que desejam conhecer o mundo e manter laços afetivos e familiares. É complexo conciliar isso, até porque, uma mulher "desgarrada" não é bem vista pela sociedade, em especial na nossa sociedade moralista e machista.
    Enfim, o filme se preocupa tanto em dar conta dos lugares visitados, que as questões que levam a personagem a visitá-los fica negligenciada. O filme acabou virando um longa de turismo com imagens estonteantes.
    Bem que algum outro diretor poderia fazer outra versão do filme, com uma atriz mais "gente como a gente" para falar sobre esses conflitos das mulheres independentes do novo século, com a paisagem como coadjuvante, não como protagonista.

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  2. Não sei se o livro é bom, pois não o li, mas o filme...que decepção!!!
    Não gostei, achei chato pra caramba, longo demais e me deu sono. Minhas amigas adoraram....kkkkkkkkkkkkk Será que há algo de errado comigo???
    beijos,

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