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A impressão que tive de Uma Noite em 67 é que a intenção do documentário é desmistificar ídolos da música popular brasileira, os humanizando, ao mostrar os bastidores daquele memorável Festival de MPB que chegou a incomodar até a ditadura militar. Os então garotos de vinte e poucos anos Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Edu Lobo, entre outros (alguns até então jovens desconhecidos, como os revolucionários Mutantes), apesar de famosos, eram pessoas comuns - e ainda o são. Eles também têm medo, ficam nervosos e, de vez em quando, até embolam o meio de campo ao dar uma entrevista.

Uma Noite em 67 não tem a pretensão de ser um filme sobre política, ideologia e afins. É um documentário sobre seis canções - Roda Viva (Chico Buarque e MPB4); Alegria, Alegria (Caetano Veloso); Domingo no Parque (Gilberto Gil e Os Mutantes); Ponteio (Edu Lobo); Maria, Carnaval e Cinzas (Roberto Carlos) e Beto Bom de Bola (Sérgio Ricardo) -, que tinham como pano de fundo um dos períodos históricos mais turbulentos da história brasileira: a ditadura. O próprio programa de TV que produzia o Festival não tinha pretensões de ser mais do que um programa de TV, preocupado apenas em entreter o público e os telespectadores com fórmulas de roteiro televisivo para gerar mais audiência.

Em 21 de outubro de 1967, o III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, colocou para competir pelos primeiros lugares da competição artistas hoje considerados fundamentais para a história da MPB. Tropicalismo explodindo, MPB rachando, passeata contra a guitarra elétrica, vaias e aplausos fervorosos como se a plateia fosse uma torcida de futebol, violão quebrado e arremessado ao público, músicos com firmes visões políticas que seriam refletidas em suas composições, entrevistas da época e atuais com os protagonistas do Festival, o jurado Sérgio Cabral e o produtor Solano Ribeiro, entre outros... Para os amantes da música brasileira, Uma Noite em 67 é um documentário obrigatório. Estreia: 30 de julho.

Uma Noite em 67 - 85 min
Brasil - 2010
Direção: Renato Terra, Ricardo Calil




Por: Mattheus Rocha

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  1. Confesso que via os cartazes e não me interessava muito, me empolguei em ver com a sua crítica. Obrigada

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  2. Valeu, Paula. Vale mesmo a pena. Beijos.

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  3. Realmente o documentário é divertido tira tietismo anos 80..Mostra com uma clareza a simplicidade nas pessoas que queriam fazer o novo....claro quem ganhou a cara do intelectuais mostrando determinado o medo da ditadura musical....porém publico ovacionou outro...enfim assistam....Dará muita risada principalmente pela simplicidade de Chico Buarque nos dias de hoje.
    Parabéns pelo comentário.

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  4. Eu assisti e adorei! Acho que "é um documentário obrigatório", ou então "imperdível", para todos que se interessam pelos movimentos da cultura brasileira. Os bastidores são divertidíssimos.

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  5. foi a impressão que eu tive também, a de desmistificação.

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  6. Assisti o filme, muito bom, adorei sua crítica!

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  7. Acabei de assistir o documentário, simplismente sensacional.
    Gostei muito da forma que foi produzido e da montagem.

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  8. não é de seis canções, mas de 7, pq tem a da elis regina no final

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