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O que será de nozes?

Crítica - O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

4 de maio de 2010

Heath Ledger em seu último papel no cinema



Para quem pensa que a última performance de Heath Ledger nos cinemas foi a do genial e incomparável Coringa, de Batman - O Caveiro das Trevas (2008), O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus é um último suspiro. O ator morreu antes da conclusão das filmagens do novo filme de Terry Gilliam, ex integrante do Monty Python, que tem mania de fazer longas cujas formas superam o conteúdo, característica que não foge a este. Visualmente é uma obra espetacular, com ótimos efeitos, figurino, direção de arte e atuações impecáveis. Mas o roteiro não engrena nem convence.    

Dr. Parnassus (Christopher Plummer) é o líder de uma companhia de teatro itinerante, que esconde um obscuro segredo de sua filha, Valentina (Lily Cole). Ele tem mais de mil anos e é viciado em fazer apostas com Mr. Nick (Tom Waits), que, na verdade, é o diabo em pessoa (literalmente), com quem tem um pacto. Parnassus e sua trupe oferecem um serviço interessante: quem nunca quis transcender a realidade e encontrar seus sonhos materializados? Para isso, basta pagar a entrada e atravessar um espelho mágico, aparentemente comum. 

Mas o negócio estava indo mal. Ninguém botava fé na atração. Ela precisava ser reformulada, modernizada... só assim atrairia um grande público e ajudaria Parnassus a ganhar cinco almas antes do diabo (caso não consiga, ele terá que entregar Valentina ao capeta assim que ela completar 16 anos). É aí que entra Tony (Heath Ledger), encontrado agonizante, embaixo de uma ponte. Querendo fugir de seu passado, o rapaz finge que perdeu sua memória e entra para a trupe.   


Enquanto Mr. Nick parece se divertir com as apostas, jogando com seus poderes e brincando com o oponente, Parnassus não queria enganar o diabo, mas vencê-lo de forma limpa. O cansaço de viver mil anos e a ideia de perder sua filha o levam ao alcoolismo e à má convivência entre os membros da trupe. Apesar de ter apostas com o diabo na história, mundo de sonhos e outros devaneios, O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus não é um filme pesado e vale uma ida ao cinema, tanto pelo visual incrível, quanto por Heath Ledger em seu último papel no cinema.  

Após alguns meses sem filmar, Terry Gilliam resolveu concluir o filme sem Heath. A ideia foi muito boa: ao atravessar o espelho, as aparências das pessoas mudariam. Para isso, o diretor convidou Johnny DeppJude LawColin Farrell, que também interpretaram Tony. O filme teve duas merecidas indicações ao Oscar: Direção de Arte e Figurino, mas saiu da cerimônia sem nenhuma estatueta. Estreia: 07 de maio.

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus) - 123 min
Reino Unido, Canadá, França - 2009
Direção: Terry Gilliam
Roteiro: Terry Gilliam, Charles McKeown
Com: Heath Ledger, Johnny Depp, Colin Farrell, Christopher Plummer, Jude Law, Lily Cole, Peter Stormare, Tom Waits, Andrew Garfield, Verne Troyer, Paloma Faith

1 comentários:

Mônica Lobo disse...

Concordo com a questão do roteiro. Achei uma pena não terem aproveitado aquele argumento inicial de que o mundo acontece porque histórias são sempre contadas. Isso teria enriquecido muito o roteiro, dando uma profundidade maior à história que se tornou mais superficial ainda do meio do filme pra frente. A própria personalidade do personagem de Heath Ledger não é bem definida.
Me emocionou lembrar que foi o último filme dele e ver o seu personagem caracterizado pelos outros atores, numa clara homenagem a ele.
Filme-homenagem belo pros olhos, embora um pouco raso pros sentidos.

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