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Documentário em homenagem aos 50 anos da Nouvelle Vague, movimento francês de vanguarda que revolucionou a forma de se fazer cinema, influenciando cineastas do mundo inteiro, Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague tem como foco principal a relação de dois críticos que se tornaram cineastas. Donos de personalidades e origens distintas, Jean e François iniciaram sua amizade pelo amor ao cinema. Frequentavam o mesmo cineclube, gostavam dos mesmos filmes e se tornaram conhecidos, e influentes, por revolucionar o modo de se escrever críticas de cinema, na importante Cahiers du Cinéma

Não aceitavam a prática de industrialização da sétima arte, com seus filmes produzidos em estúdios e atores e atrizes que mais eram vedetes, do que propriamente artistas. Em vez de apenas criticar, eles resolveram colocar a mão na massa, filmando nas ruas, com realidade e autenticidade, tendo como alvo a pureza (estética e de conteúdo) do que consideravam o verdadeiro cinema. O alvoroço que Os Incompreendidos (1959), primeiro longa de Truffaut causou no Festival de Cannes foi apenas o começo do movimento. Com sua ousadia e afronta aos padrões estilísticos e comerciais da época, o cineasta iniciante mostrou como um singelo filme autobiográfico poderia fazer tanto ou mais sucesso do que os pretensiosos produtos da indústria cinematográfica.         

No ano seguinte, e com a ajuda de Truffaut, Godard lançou Acossado (1960), que apesar de ser bem diferente de Os Incompreendidos, tem a alma da Nouvelle Vague. Sem grande apoio financeiro, feito por jovens autores, com diálogos inusitados e ousado estilo narrativo, o movimento chamou a atenção não só do público, como dos grandes produtores de cinema, que passaram a investir em cineastas iniciantes. O documentário mostra cenas raras de entrevistas da época, de importantes filmes e até do primeiro teste de câmera de Jean-Pierre Léaud, que viveria o Antoine Doinel (alter ego de Truffaut) em Os Incompreendidos e em outros longas.

A Revolução de 1968 causou um rompimento do movimento e da amizade de Godard Truffaut. Os dois tomaram rumos opostos e, ideologicamente, não aceitavam a escolha um do outro. Godard passou a fazer um cinema crítico e engajado, enquanto Truffaut se manteve à parte de debates políticos. Mesmo que você goste mais de um do que de outro, dos dois ou até mesmo de nenhum, não pode negar a importantíssima contribuição de ambos para o cinema. No fim, o que os uniu e os separou, foi o amor à sétima arte. Uma verdadeira aula de cinema. Estreia: 28 de maio.

Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague (Deux de la Vague) - 91 min
França - 2009
Direção: Emmanuel Laurent
Roteiro: Antoine de Baecque


Por: Mattheus Rocha

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  1. Quero ver! Pena que hoje não vou poder ir no lançamento...

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  2. Mônica, eu vi na cabine de imprensa. Nem fui no lançamento. Tenho certeza que você vai adorar.
    Beijos.

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  3. Mattheus,
    Fui na première. O filme tem algumas qualidades (anedotas, crônicas, Leaud), mas no geral é fraco. Tem gosto de lição de escola, surfa sobre os fetiches e, o mais sério, o drama não acontece. Quando você chega na hora H, na hora do conflito, o longa acaba. O espectador fica chupando o dedo.
    Crítica que escrevi:
    http://quadradodosloucos.blogspot.com/2010/05/critica-godard-truffaut-e-nouvelle.html
    Abraço!

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  4. Bruno, você tem razão ao comparar o filme a uma "lição de escola". Não foi à toa que encerrei o post dizendo ele que é uma aula de cinema. Mas não compartilho da sua visão de que o filme é fraco. Apesar de não explorar o clímax de forma a aprofundar a densidade do conflito, o considero competente em sua proposta. Abraços !!

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