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O que esperar de um longa dirigido pelo roteirista da genial trilogia baseada na teoria do caos? Só algo, no mínimo, muito bom. Guillermo Arriaga parece querer fazer de Vidas que se Cruzam um D'Artagnan, considerado o quarto dos Três Mosqueteiros, pois o longa segue a mesma complexa e não linear estrutura narrativa de Amores Brutos (2000), 21 Gramas (2003) e Babel (2006), além de ter aquele clima denso e pesado característico dos filmes dirigidos por Alejandro Gonzáles Iñárritu. Ao mesmo tempo em que alguns personagens são contidos, parece que uma bomba de emoções vai explodir a qualquer hora. É tensão dramática a todo segundo. 

A trilogia do caos é necessária a qualquer cinéfilo. Além de ser composta de filmes fantásticos, desnuda o ser humano e suas complexidades, com elegância e sem pudores. Enquanto o bater asas de uma borboleta no México pode causar um tufão no Japão, as decisões de uma pessoa têm uma corrente de consequências que chega a ser inimaginável, afetando a vida de inúmeras outras pessoas, numa espécie de cadeia de eventos sem fim. Quem ainda não viu estas obras primas e tiver interesse, recomendo que assista com a alma leve, em um dia tranquilo, pois são filmes emocionalmente muito pesados. Vi Amores Brutos assim que foi lançado e lembro que o longa mexeu tanto comigo, que fiquei uma semana em um estado meio depressivo. É sério.

Não vale a pena esmiuçar uma sinopse detalhada de Vidas que se Cruzam, pois ela ficará aquém do que o filme pode oferecer. São pessoas comuns, cujas vidas em algum momento se cruzam (como a tradução do título original para o português já explicita), e determinadas decisões delas vão criar as consequências comparáveis à teoria do caos, como expus no parágrafo anterior. São complexas teias de relações humanas, destrinchadas sem pressa pelo roteiro fabuloso de Guillermo Arriaga. Tudo acontece quando tem que acontecer. O clima tenso da trama gera diversos momentos de clímax, favorecidos pelas maravilhosas atuações e competente montagem.  

Apesar de Amores Brutos, 21 Gramas e Babel não terem ligações de personagens e estórias entre eles, são considerados uma trilogia pela forma, estilo e temática dos longas. O filme de Arriaga mantém esta proposta e, por isso, o considero o D'Artagnan da trilogia do caos. Mas, mais do que manter o direcionamento, Vidas que se Cruzam mantém a qualidade e a genialidade dos seus antecessores. Além de ser impecável tecnicamente, as atuações de todo o elenco são espetaculares. Seria algo como um filho fora do casamento de Arriaga Iñárritu. Um filho muito bonito, por sinal. Recomendo fortemente.

Vidas que se Cruzam (The Burning Plain) - 107 min
EUA, Argentina - 2008
Direção: Guillermo Arriaga
Roteiro: Guillermo Arriaga
Com: Charlize Theron, Kim Basinger, Jennifer Lawrence, José Maria Yaspik, Joaquim de Almeida




Por: Mattheus Rocha

* Este post também foi publicado no Portal Plus TV

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  1. charlize theron é linda, embora eu não ache que ela seja uma ótima atriz. não vi monster, então talvez seja por isso que não ache, pois baseio a minha opinião no hancock. hehehe

    Mattheus, faz um post do tipo "O blogueiro ouviu". hehe

    abraço

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  2. Daniel,

    tô fazendo uma matéria sobre a Maglore, excelente banda nacional, lá da Bahia. Em breve posto.

    Abraços.

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