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1968: Martin Luther King e Robert Kennedy são assassinados; manifestações contra a Guerra do Vietnã e regimes autoritários em diversos países do mundo comem soltas; a ditadura militar joga a Constituição Brasileira no lixo e instaura uma onda covarde de violência e censura. O cineasta Silvio Tendler era um jovem de 18 anos nessa época e, em 2010, após 19 anos de pesquisas, reunião de acervo audiovisual (incluindo uma ótima seleção de trechos de importantes filmes) e entrevistas, lança Utopia e Barbárie (estreia dia 23 de abril), um road movie documental autobiográfico, que desconstrói (a partir de experiências impressionistas), um quebra cabeças de eventos de importância crucial para a história pós moderna da humanidade. 

Portanto, mais do que um filme, Utopia e Barbárie é uma aula de história. A partir da Segunda Guerra Mundial, passando por Japão, Itália, EUA, Brasil, Vietnã, Cuba, Uruguai, Chile, entre outros países, Silvio Tendler mostra as guerras e revoluções que transformaram a vida de cidadãos, amigos e familiares. O documentário é narrado em primeira pessoa por Letícia Spiller, Chico Diaz e Amir Haddad. Em meio à dor e à perda (seja de liberdade ou de vidas), há espaço para a poesia, filosofia e reflexão.  

O embate de barbáries globalizadas com utopias de resistência geraram importantes transformações políticas, sociais e econômicas, que não escapam à lente de Silvio Tendler. O documentarista mostra ao espectador a complexa ligação entre eventos mundiais, aparentemente dispersos, de forma simples, não partidária, e até suave em alguns momentos, fazendo o longa respirar e ganhar consistência, já que o peso do tema é carregado de uma forte, e real, tensão dramática. Utopia e Barbárie não teve roteiro, foi sendo brilhantemente construído na ilha de edição. E, realmente, não teria como ser de outra forma, já que "Esta história não tem ponto final. Termina com reticências".

Utopia e Barbárie - 120 min
Brasil - 2010
Direção: Silvio Tendler
Narração: Letícia Spiller, Chico Diaz, Amir Haddad
Entrevistados: Amir Haddad, Amos Gitai, Augusto Boal, Cacá Diegues, Denys Arcand, Dilma Rousseff, Eduardo Galeano, Ferreira Gullar, Leonardo Boff, Martin Almada, Zé Celso Martinez, entre outros 



Por: Mattheus Rocha

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