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Não entendo como ainda há preconceito e dúvidas em relação à qualidade do trabalho de Leonardo Di Caprio, mesmo depois de atuações excelentes, não só no começo de carreira, com Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993), Diário de um Adolescente (1995) e As Filhas de Marvin (1996), mas, principalmente, nos filmes de Martin Scorsese - Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004) e Os Infiltrados (2006). Deve ser o estigma de Titanic (1997), mas fato é que seu talento é inegável. Di Caprio se tornou o queridinho de Scorsese e protagoniza o tenso e claustrofóbico Ilha do Medo, suspense psicológico digno de um mestre, com influências claras de Hitchcock e algumas pitadas de Polanski

1954, auge da Guerra Fria. Os agentes do FBI Teddy Daniels (Di Caprio) e seu parceiro Chuck (Mark Ruffalo), são enviados a Shutter Island, onde fica localizado um hospital psiquiátrico para criminosos insanos, a fim de investigar o desaparecimento de uma paciente, como o psiquiatra Dr. Cawley (Ben Kingsley) chama os detentos. Uma mulher que assassinou seus três filhos some misteriosamente de sua cela e ninguém sabe aonde ela pode ter ido. Teddy, veterano da Segunda Guerra Mundial, se vê no meio de uma rede de intrigas, na qual interesses obscuros estão em jogo. Aparentemente, todos têm algo a esconder.

Logo na primeira noite, uma tempestade deixa os agentes isolados, já que o único jeito de entrar ou sair da ilha é de barco. Mesmo que eles queiram voltar ao continente, terão que esperar o tempo melhorar. Mas eles se veem cada vez mais entranhados no mistério que envolve o sumiço de Rachel. Para Teddy, passa a ser questão de honra, não só solucionar o caso, como também investigar possíveis experiências desumanas com os detentos, entre elas a prática da lobotomia. O agente mergulha em um ambiente cada vez mais claustrofóbico, onde nada é o que parece ser. Todos parecem ser personagens, interpretando papéis que podem mudar sua vida de uma forma radical.

A cada nova dúvida ou descoberta de Teddy, o suspense psicológico fica cada vez mais tenso, mais sufocante. A Ilha do Medo se mostra embriagante e alucinógena, carregada de sombras, escuridão e incertezas. O limite entre a realidade e a ficção do que o protagonista acredita é tênue. Qualquer vento pode desviá-lo de seu caminho, qualquer arranhão pode fazê-lo despertar. O roteiro, apesar de ser excelente, não deixa dúvidas de que uma reviravolta irá acontecer, como em 99% dos filmes deste tipo. Mas resta saber qual será o maior ponto de virada da trama, já que eles são inúmeros e muito bem construídos. Filme necessário. O Blogueiro recomenda fortemente.

Ilha do Medo (Shutter Island) - 138 min
EUA - 2010
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis - Baseado no livro de Dennis Lehane
Com: Leonardo Di Caprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max Von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer



Por: Mattheus Rocha

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  1. Esse eu pre-ci-so cometar! De longe um dos melhores filmes que vi nos último tempos, principalmente considerando que adoro filme de terror/suspense psicológico e os bons são difíceis de encontrar.
    Fora isso, o que mais me impressionou na filme foi pensar o quanto o ser humano vive no limite entre a realidade e a insanidade. E que QUALQUER um de nós pode padecer e terminar numa "Ilha do medo". Fiquei dias pensando nisso...
    Outro destaque: a fotografia das cenas de sonhos, alucinações etc é espetacular.
    Esse eu aplaudi de pé.

    Obs: Aliás, você já assistiu Persona? Tô pra ver esse filme e lembrei dele vendo o do Scorcese.

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  2. Eu gosto dos trabalhos do Leonardo Di Caprio. Mas suponho que por muitos filmes que ele faça, nenhum conseguirá superar Titanic. Alias ele ficou famoso graças a ele. ^^


    Não sei se algum dia vou me animar a ver esse filme. Não sou fã desse género de filme. /=

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  3. Mônica,

    claro que vi 'Persona'. Adoro Bergman. O mestre dos mestres !!! Você vai adorar.

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  4. Minha próxima locação então, estou viciada em filmes mesmo, vou adorar ver um tão bem recomendado como esse.

    Beijos

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  5. Que coisa, esse filme foi estrear justo na semana de provas da facu. Mas, tudo bem agora, vou assistir essa semana.
    Abraços!

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  6. Até agora eu não dava nada pra esse filme, principalmente pelo nome, que soa como qualquer outro filme-clichê de terror.

    Mas com tem os nomes de Scorsese e Di Caprio no meio, a coisa muda. Assim que possível, irei assistir!

    Abs,
    Tiago

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  7. Estava em dúvida ainda, mas como sempre, depois de passar por aqui irei assistir. Suas recomendações nunca decepcionam amigo.

    Ótimo trabalho sempre!

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  8. Entrou na minha lista de filmes que futuramente verei...

    Scorcese e Di Caprio de novo então!

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  9. É preciso citar que muito possivelmente o agente Teddy não está louco de verdade, afinal pode se tratar de uma experiência psicológica para internar pessoas ideologicamente contrárias ao regime vigente nos EUA nos anos de guerra fria. Afinal, o agente Teddy tinha contato com um dos internos que acreditava no comunismo.
    No final do filme, seu parceiro, o agente interpretado por Mark Rufalo, fica surpreso ao vê-lo lúcido, ou seja, ainda acreditando na sua identidade de agente e o chama pelo nome de Teddy.
    A CIA fez diversas experiências nos anos 50, afim de anular ideologicamente pessoas que pudessem representar uma ameaça ao capitalismo norte-americano.

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