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“Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce. Só fica mais complicado”. Esta frase de Mano (Francisco Miguez) resume bem o espírito de As Melhores Coisas do Mundo, novo filme de Laís Bodanzky, diretora do excelente Bicho de Sete Cabeças (2001). O roteiro de Luiz Bolognesi não começa bem. Parece que estamos diante de um longa baseado em Malhação, ainda mais quando vemos Fiuk em cena. Aliás, com exceção de alguns péssimos coadjuvantes que, se não chegam a comprometer a trama, incomodam um pouco (como uma artificial aspirante à Barbie), o filho de Fábio Jr. é o único ponto fraco do filme. É perceptível que o cara não está à altura de interpretar um rapaz com tendências suicidas, o papel com maior carga dramática do longa.

O universo que cerca a vida de um grupo de adolescentes, com seus conflitos, descobertas, anseios e frustrações, é o mote de As Melhores Coisas do Mundo. A estória se passa basicamente em uma escola de nível médio, mas as crises familiares enfrentadas pelo protagonista Mano têm um destaque vital ao desenvolvimento do filme. Com um início desanimador, o roteiro vai ganhando corpo, à medida em que a projeção avança. Parece até proposital. O adolescente ingênuo, ao enfrentar seus problemas, vai amadurecendo, em busca de seus sonhos.

Mano é um garoto comum da classe média paulista. Tem aulas de violão, vai a festinhas, ainda se diverte vendo sites pornôs, não se empolga com os estudos, tem diversos amigos… nada de muito relevante. Mas é quando descobre que, logo após a separação, seu pai foi morar com um homem, que grandes conflitos vêm à tona. Parece que essa é a válvula de escape para o garoto refletir sobre coisas verdadeiramente importantes e começar a trilhar seu caminho para a vida adulta. Se antes ele queria apenas ser um grande guitarrista e arrumar uma boa namorada, agora tem coisas mais importantes a resolver. As Melhores Coisas do Mundo aborda o preconceito, a invasão de privacidade e o delicado tema bullying, de forma coerente, séria e divertida ao mesmo tempo.

Sutilmente, há também uma crítica ao conservadorismo no ensino. Caio Blat interpreta um professor de física, que não exige nada de seus alunos, além do desenvolvimento do ato de questionar. Ele demonstra a importância de não, simplesmente, se aceitar as coisas mastigadas, mas sim de desconfiar e duvidar de todas as verdades tidas como absolutas, pois elas não existem. Nesta obra, o estilo de direção de Laís Bodanzky lembra muito o de Jorge Furtado, que em 2002 apresentou o universo adolescente de forma genial, com seu Houve uma Vez Dois Verões. Está aí mais uma grande obra do cinema nacional, que promete arrebentar em 2010.

As Melhores Coisas do Mundo
Brasil - 2010
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Luiz Bolognesi
Com: Francisco Miguez, Gabriela Rocha, Fiuk, Paulo Vilhena, Caio Blat, Denise Fraga, Gustavo Machado, José Carlos Machado


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  1. Gostei do filme, da universalidade da estória, do elenco, da fotografia, da proposta de temas atuais e pertinentes a idade dos personagens e o mundo ao seu redor. Primoroso mesmo o filme ! Trilha sonora linda e emoções sinceras na tela. Diálogos fodásticos eu diria ainda ! Já assisti duas vezes e vou assistir de novo !

    Há apenas algo com o clímax que causou certo estranhamento, em mim e em vários espectadores que fiquei sondando (isso inclui a bela moça que me acompanhava na primeira vez que assisti). Havia algo perto e durante o final que dava aquele mal-estar esquisito.

    Até por esse estranhamento assisti o filme hoje denovo, para observar e tentar detectar o que acontecia ao chegar ao epílogo da estória, epílogo que de certa forma dá uma encolhida na expectativa criada à cerca dos minutos finais da película...

    Minha teoria é a de que, fazer o clímax apoiar-se na subtrama ("suicidio" de Pedro) e não na trama central (Mano), distanciou-nos da estória central (Mano), fazendo com que o epílogo, que volta para a história central, perca vigor, pois pelo distanciamento promovido, se enfraquece a consolidação da relação estabelecida entre Mano e Carol, banalizando-a. Além disso, na minha opinião, a última execução de Something (que é uma bela música. Sagrada até eu diria!), era desnecessária, trazendo mais problemas que soluções para o ritmo do final.

    Torço por “As coisas melhores do mundo”. Fico preocupado com a disputa de bilheteria com “Chico Xavier” (que ainda não vi), pois o Daniel Filho é um monstro, o tema é forte e o GUGU fez propaganda ideológica pro Xavier por décadas, ou seja, bom de vendas.

    No filme de Bodansky me vejo vivendo aquela vida da estória. Os personagens são críveis, causam empatia. Ah, a Denise Fraga vai ser minha amante no futuro, mas ela ainda não sabe. Não espalhem !!!

    Assistam esse filme PELO AMOR DE DEUS ! E tenham em casa. Não é à toa que, nada mais, nada menos que Bráulio Mantovani tenha elogiado o filme. Depois de ver esse filme, que é um orgasmo filmado, eu postei no meu twitter “Quero casar com a Laís Bodansky...”. Te digo viu, ainda quero Laís !!! Cada vez mais fã dessa moça ! Grande filme !

    Nota: O Fiuk até que vai bem. Não compromete no filme, mas fora dele... Imaginem vocês, a sessão que vi hoje foi às 14:15. Tinham “teens” assíduas espectadoras de “Malhação”, gritando e assobiando a cada vez que aparecia meio frame do cara! Argh !!

    Aloysio Roberto Letra

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  2. Confesso que esse filme não me despertou o interesse, o que em nada tem a ver com a vontade de observar suas críticas de filmes!

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