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Trinta anos após uma guerra de imensas proporções deixar de herança à humanidade um sombrio cenário pós apocalíptico, um livro é visto por alguns dos sobreviventes como a única forma de salvação. A sociedade não existe mais como a conhecíamos e bens que antes não tinham o menor valor são vistos agora como verdadeiras preciosidades. Chega-se a matar, ou morrer, por uma simples garrafa de água potável. O clima tenso de O Livro de Eli é pautado por uma melancólica e intrigante música tema. Sempre que ela toca, sentimos que algo importante vai acontecer. 

É impossível não lembrar da Trilogia Mad Max (1979 - 1981 - 1985) ao ver o novo filme dos Irmãos Hughes, que não dirigiam um longa desde Do Inferno (2001). São referências mais do que explícitas. Os estranhos personagens, a violência, a falta de regras, as perigosas estradas, os ladrões, a escassez, as péssimas condições de vida, a aridez. Em alguns momentos, parece até uma refilmagem. Eli (Denzel Washington) é um Mad Max da fé cristã. Em vez da vingança, ele tem como motivação o que acredita ser um chamado divino. Mas suas intenções são boas. Diferentemente das Cruzadas expansionistas, Eli não tem objetivos territoriais, políticos ou econômicos.

O ponto forte do longa é que, em nenhum momento, ficamos sabendo do passado do protagonista, de como foi parar ali, o que perdeu e do que sente falta. O roteiro é direto. Não lança mão de recursos melodramáticos e flashbacks pra gerar uma identificação com Eli. Ele é apenas um sobrevivente, que fará de tudo para atingir seu objetivo, não importa quem passe pelo seu caminho e quais obstáculos tenha que transpor. Em sua jornada rumo ao Oeste, o andarilho cruza com perigosos bandidos e as cenas de luta são fantásticas. Ao passar por uma pequena comunidade, liderada pelo maquiavélico Carnegie (Gary Oldman), Eli passará por sua provação.

O título do filme se refere à Bíblia. Após a devastadora guerra, restou apenas um exemplar no mundo inteiro. Ao contrário de Eli, seu protetor, Carnegie quer usá-la como ferramenta de dominação. O antagonista personifica o mau uso da fé e a crítica aos representantes das religiões (não só do catolicismo). Carnegie quer se fazer valer da ignorância das pessoas para proliferar o medo e a submissão, tendo como instrumento a Bíblia. Ele pode ser contradito. Ela não. Para impedir Carnegie, o solitário Eli ganha a ajuda de Solara (Mila Kunis), que, junto com sua mãe (Jennifer Beals), é mantida como escrava pelo aspirante a ditador. 

O Livro de Eli (The Book of Eli) - 118 min
EUA - 2010
Direção: Irmãos Hughes
Roteiro: Gary Whitta
Com: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Tom Waits, Malcolm McDowell




Por: Mattheus Rocha

* Este post também foi publicado no Portal Plus TV

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  1. Deve ser daqueles filmes que mexe com um vespeiro: a fé...
    Valeu a dica, quero assistir!
    Beijos!

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  2. Tom Wais no elenco? Que que é wilson!

    Sou obrigado a ver o filme.

    Abraço

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  3. Na verdade tô querendo assistir Ilha do Medo, do Scorcese, mas Denzel Washington lutando Kung-fu é imperdível!

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  4. Gostei tanto do filme como a resenha apresentada.
    Gosto de música do estilo da trilha sonora, porém não consigo me lembrar do nome da música que Eli ouve em seu fone de ouvido, alguém ai pode me ajudar?
    Obrigado, Zé.

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  5. Zé, a música é "How Can You Mend a Broken Heart", do Al Green.

    Abraços.

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  6. " Zé, a música é "How Can You Mend a Broken Heart", do Al Green.

    Abraços."

    Eureka, só Deus sabe o quanto eu procurei pelo nome dessa musca :)
    Carlos estevam

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