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Quatro Indicações ao Oscar: Atriz Coadjuvante (Penélope Cruz), Direção de Arte, Figurino, Canção (Take it All)

2001 - Mattheus é uma pessoa que ainda não sabe se é adolescente ou adulto, como muitas que vemos por aí. Cinéfilo, vai ao cinema quase todo dia (naquela época, os ingressos eram baratos e Copacabana tinha várias salas de exibição), mas não assiste musicais, por puro e simples preconceito. Está com grande expectativa para ver AI - Inteligência Artificial, do Spielberg. Na sexta feira de estreia, ele se atrasa um pouco e, quando chega no Roxy, a bilheteira informa que os ingressos já estão esgotados. "Ainda tem pra algum outro filme?", pergunta o jovem Mattheus. "Só pra Moulin Rouge", diz a moça. Como já tinha reservado aquelas horas pra um cineminha, ele resolve ver o musical, bem a contragosto. E não é que ele se surpreendeu? Se não fosse o Sr. Destino, teria perdido não um, mas alguns filmaços. Por ter adorado o amor em vermelho, em 2002 Mattheus vê Chicago, outro grande musical, e, em 2009, o genial, subestimado pela crítica e praticamente ignorado pelo Oscar, Nine

1963 - Após lançar sua obra prima A Doce Vida (1960), Fellini tem um bloqueio criativo. E, ao invés de procurar saída em alguma estória de ficção, resolve não só recriar a situação que estava vivendo profissionalmente, mas, de alguma forma, se reconciliar com seu passado. Para isso, tira oito coelhos e meio de sua cartola. Sua vida é exposta em forma de fantasia e devaneios em Oito e Meio, um golpe de mestre. Contrariando seus imaginários limites, o artista faz outra obra prima. Não é à toa que o Maestro é considerado um dos maiores cineastas da história. Fellini é samurai. 

2009 - Baseado no musical da Broadway, Rob Marshall lança Nine, uma homenagem ao Oito e Meio de Fellini. Mas o filme Nine é muito mais do que um musical. São 118 minutos de catarse cinematográfica. Assim como em Oito e Meio, o personagem principal também se chama Guido. Daniel Day Lewis está incrível (como sempre), idêntico a Marcelo Mastroianni, alter ego de Fellini, com todos seus trejeitos e conflitos. Logo no começo do filme, somos apresentados ao que o cineasta pensa a respeito do cinema. Os filmes não são apenas um objeto. Eles ganham vida própria na sala de exibição, onde o público cria uma relação com a obra, a partir de sua experiência de vida, resgatando antigos sentimentos e/ou gerando novas emoções. Mas Guido é um gênio ou apenas um cara que precisa dizer sim ou não? O filme dá a resposta. Nine alterna números musicais, entrevistas do cineasta, suas relações profissionais, seus dilemas, sua compulsão por mentiras, o vai-não-vai com sua esposa (Marion Cotillard) e com sua amante (Penélope Cruz), suas (falta de) ideias. A recriação da estética visual de Fellini, em algumas cenas, é belíssima. Uma verdadeira poesia. Ainda não entendi como o genial Nine não agradou aos críticos, nem recebeu muitas indicações ao Oscar.

Nine (Nine) - 118 min
EUA, Itália - 2009
Direção: Rob Marshall
Roteiro: Michael Tolkin, Anthony Minghella - Baseado no roteiro do musical da Broadway
Com: Daniel Day Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Jude Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Fergie, Ricky Tognazzi



Por: Mattheus Rocha

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  1. Acho que a crítica andou martelando Nine por aqui (Brasil). Não estou certo disso. De qualquer forma, eu me animei com o filme pelo elenco, com grandes e belas atrizes.

    Há muita gente que torce a cara para filmes que o Bonequinho não aplaude. Tenho uma amiga que é tão cinéfila quanto você, mas ela retruca ver determinados filmes por causa da análise dos críticos. Acho uma grande besteira agir assim.

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  2. cara já me falaram do
    filme eu preciso ver
    o filme ta.
    ai eu comento .

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  3. Um dia eu verei também... ou não... rs... abraço!!!

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  4. Eu costumo achar musicais abobalhadamente alegres demais, mas Moulin Rouge eu também gostei ^^

    Nine parece um bom filme, vou procurar assistir.

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  5. não sou fã de musicais. aliás, nunca dei muita chance para eles.. quem sabe um dia eu mude de ideia.

    abraço

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  6. Como fã de musicais, estou doida pra conferir "Nine", mas ando preocupada com as críticas mistas que ando lendo sobre a obra.

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  7. Me diga uma coisa, o filme é mais ou menos um documentário é?!
    Pergunto isso pois você falou que alterna números musicais com entrevistas e etc.

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  8. Muito interessante a sua dica...Espero realmente conseguir em algum momento traduzir toda essa expectativa em emoção ao assistir o filme. Abraços.

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  9. Também cai de amores pelos musicais atuais por causa do "Moulin Rouge": liiindo!
    "Nine" é um filme com pré-requisito. Para os que não viram "Oito e meio", como eu, o filme te Guido como um personagem magnético, levando o público junto pro seu vazio criativo. Uma pena que nem todos os números musicas sejam bons. Dou destaque pro segundo número de Cotilard! Sensacional!

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  10. Amanhã eu vou tentar assistir Zumbilândia e ser der vejo Nine também!

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  11. Muita gente já viu, eu ainda não assisti... espero que seja tão bom quanto o Oito e Meio, o que é bem difícil acontecer...

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  12. Não chega a ser um Moulin Rouge , mas achei melhor que Chicago. Também não entendi tanto ódio por Nine, acho que esperavam um Fellini e encontraram um musical.

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