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Seis Indicações ao Oscar: Filme, Direção (Jason Reitman), Ator (George Clooney), Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga), Atriz Coadjuvante (Anna Kendrick), Roteiro Adaptado

Amor Sem Escalas retrata a recessão econômica e o consequente aumento do desemprego nos EUA, sob o ponto de vista de Ryan Bingham (George Clooney), funcionário de uma empresa especializada em demitir pessoas. A falta de coragem de encarar a responsabilidade de decisões importantes, que traz grandes lucros à empresa de Ryan, lembra a de O Grande Chefe (2006), de Lars Von Trier, no qual o dono de uma empresa cria um chefe fictício para, publicamente, não ser o responsável por decisões que não vão agradar aos seus funcionários. Quando ele decide vender a empresa, os compradores querem negociar diretamente com o cara que realmente toma as decisões, e o dono se vê obrigado a contratar um ator, para resolver a situação.

Pois Ryan Bingham é o cara das demissões. Na verdade, ele é um vendedor. O cara da lábia, que chega a fazer os funcionários demitidos acreditarem que aquilo é o melhor para eles, que novas portas irão se abrir a partir daquele momento. Sabemos que, com a recessão, as coisas não acontecem bem assim, mas Ryan realmente acredita que seu trabalho é necessário à vida destas pessoas. Ele ainda consegue ver dignidade no meio daquela tensão e sofrimento do temido anúncio, "você está dispensado", e, por isso, considera sua atividade indispensável. Mas o trabalho de Ryan é só o pontapé inicial para a trama, que gira em torno de seu estilo de vida e suas escolhas pessoais.

Ele passa mais de 300 dias por ano viajando a trabalho e isso mexe com seus valores. Ryan não está interessando em ter uma casa, um relacionamento estável, em manter laços afetivos com suas irmãs... em nada disso. Ele quer é atingir os 10 milhões de milhas. Só em um ano, atingiu 350 mil. Para a Lua, são 250 mil milhas. E quando conseguir? O que virá? Apenas a demonstração do vazio que é sua vida. Seus troféus são cartões de hotéis e empresas aéreas. Mas este vazio é mais confortável do que as obrigações que se envolver com alguém traz. As pessoas em quem você confia podem se mostrar verdadeiros bichos traiçoeiros, cercados por um mundo de mentiras.

Nem é preciso dizer que, mais uma vez, a tradução do título para o português foi péssima. O original, Up in the Air, reflete não só o fato de Ryan viver viajando, como sua personalidade. Ele realmente se acha acima das pessoas comuns. Em suas palestras motivacionais, fala de sua teoria da mochila vazia, que resume bem o estilo de vida que escolheu. Evitar compromissos é um de seus mandamentos. Mas, quando conhece Alex (Vera Farmiga), em uma de suas viagens, claro, ele pensa em rever este conceito. Será que Ryan vai se entregar a um amor? Será que este amor será digno de sua confiança e o fará mudar e se abrir? 

Quando Natalie (Anna Kendrick), uma nova funcionária da empresa de Ryan, entra na trama, o conflito passa a ser o choque de gerações. Seria algo como o analógico vs. o digital. Literalmente. A novata quer implantar um sistema digital de demissões, as quais passariam a ser feitas por vídeo conferência, gerando uma grande economia. Consequentemente, isso irá acabar com as viagens de Ryan. E ele vai lutar até o fim para que isso não aconteça. Achei injusta a indicação de Anna Kendrick ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Ela não está bem e chega até a comprometer algumas cenas, ao contrário de Vera Farmiga, também indicada na mesma categoria, segura e deslumbrante.  

Em seu terceiro longa como diretor, Jason Reitman, dos maravilhosos Obrigado Por Fumar (2005) e Juno (2007), oferece uma obra irregular, mas deliciosa. O filme não tem como objetivo empolgar o público, mas sim fazê-lo refletir sobre o que realmente vale a pena na vida. O Blogueiro recomenda.

Amor Sem Escalas (Up in the Air) - 109 min
EUA - 2009
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman, Sheldon Turner - Baseado no livro de Walter Kirn
Com: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, J.K. Simmons, Sam Elliott



Por: Mattheus Rocha

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  1. ainda não vi, mas quero assistir a esse filme. Acesse tbm: http://cineclube01.blogspot.com/

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  2. Não me da muita vontade de assistir, romances com o George Cloney são meio cansativos :/

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  3. ja ouvi falar de todos. A gente aprende muitas coisas assistindo filmes, principalmente esse ae citados.

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  4. Nicole, este filme não se trata de um romance com George Clooney.

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  5. nossa esse filme deve ser muito bom com meu ator favorito fazendo parte dele adolo rsrsr vou assistir bjim

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  6. Achei a indicação da Anna mais justa que a do mesmo-de-sempre Clooney!

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  7. Não consegui terminar de assistir!
    Chaaato.

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  8. Bom para pensa, no que vale apena de verdade para careger na vida.

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