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Se Onde Vivem os Monstros marcar esta geração, assim como A História Sem Fim (1984) marcou a minha, acredito que o genial Spike Jonze - diretor dos incríveis e revolucionários Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002) -, ficará feliz. O filme começou a ser rodado em 2005 e só foi lançado em 2009 porque a Warner esperava uma pegada família e inocente (visando atingir um maior público), e, quem sabe, repetir o sucesso comercial do fraquíssimo As Crônicas de Nárnia, da Disney. Os engravatados do estúdio não aceitavam as decisões de Spike e diversas cenas extras tiveram que ser rodadas, o que atrasou bastante o lançamento da produção.

Acredito que a intenção do diretor era fazer um filme sombrio, mais para adultos do que para crianças, e, mesmo com a queda de braço com o estúdio, seu objetivo foi atingido. Onde Vivem os Monstros é uma deslumbrante fábula da solidão. Um filme denso, que não se preocupa apenas em entreter os pequenos, mas em passar uma bela mensagem, através de uma obra visualmente espetacular, com cenários, fotografia e figurinos fantásticos. Max é uma criança solitária, rebelde, que ainda não aprendeu que nem tudo é como queremos. E nem todos. 

Após se decepcionar com a ausência de sua irmã e brigar com sua mãe, ele quer fugir, ser outra pessoa, estar em um lugar onde possa ser o centro das atenções, o rei soberano, onde possa satisfazer suas vontades. Max acaba descobrindo uma ilha em que pode realizar estes desejos, com novos, grandes e bem diferentes amigos, que vivem em sua função e obedecem suas ordens. Mas, a ausência de sua real família e os conflitos gerados por fingir ser outra pessoa, o fazem perceber que devemos aceitar quem somos. Se quisermos mudar, temos que nos tornar pessoas melhores, não tentar fugir de nós mesmos. Por fim, não há lugar como nossa casa.

Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are) - 101 min
EUA - 2009
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze, Dave Eggers - Baseado no livro de Maurice Sendak
Com: Max Records, Pepita Emmerichs, Catherine Keener, Mark Ruffalo
Com as vozes de: James Gandolfini, Paul Dano, Catherine O´Hara, Forest Whitaker, Chris Cooper, Lauren Ambrose



Por: Mattheus Rocha

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  1. Um ótimo trabalho de Jonze. Uma mensagem que consegue atingir crianças e adultos.

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  2. Curioso, quando eu vi o triller do filme na tv me veio na mente a História sem Fim. Acho que há até alguma semelhança na estória. Meus filhos também, na época, assistiram e hoje assistem minhas netas. Digo, a História sem Fim. Esse novo filme vamos ver se é realmente bom.
    abs

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  3. É!!! Ninguém segura o blogueiro de férias! Hahahaha
    Eu já assisti a esse filme, e incrivelmente só me veio a mente "A História Sem Fim" haahhaha. Ele não parece ser um filme feito na nossa época, pouco se vê(pelo menos eu não vi) efeitos digitais computadorizados.(fui redundante em minha frase?)
    Gostei muito da forma que você definiu o filme como "fábula da solidão"!!!
    Mais uma vez nota 10!

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  4. Nossa! Fiquei interessadíssimo.
    Eu não estava ligando muito pra esse filme, pois achei que fosse mais um desses filmes bobos e infantis, mas pelo visto é do jeito que eu gosto, fala da natureza humana. Acho até que serei capaz de chorar.
    Nossa, esse eu quero assistir!

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  5. Rapaz, to doido pra assistir a esse filme. Lí o livro e adorei!

    Assim que tiver um tempo, irei assistir, com certeza!!


    abraços

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  6. Percebi isso no trailer, achei que o filme seria muito comércio, somente isso, mas sua crítica me despertou, novamente, a vontade de assistir esse filme!

    Agora falta o tempo hehe!

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  7. Fox, é arte pura, meu caro !!!! Você vai gostar.

    Abraços.

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  8. Eu confesso que esperava mais do filme. "Max é uma criança solitária, rebelde, que ainda não aprendeu que nem tudo é como queremos. E nem todos." Pois é, isso me incomodou tanto, acabei não embarcando em sua viagem interior aos seus monstros internos.

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