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Quando o filme foi lançado, nem dei muita bola, mas comecei a ouvir críticas muito positivas. Resolvi ver o trailer e, quando percebi que (500) Dias com Ela não era mais uma daquelas comédias românticas idiotas, que idealizam relacionamentos perfeitos - inexistentes na face da Terra -, fui conferir. O título deixa claro: relacionamentos amorosos têm data de validade. Aproximação, relacionamento e o inevitável afastamento. Estas três fases do casal Tom Hansen (Joseph Gordon Levitt) e a Summer do título original (500) Days of Summer (Zooey Deschanel), são mostrados em ordem não cronológica (o roteiro é ótimo).

Como duas vidas tão diferentes, entre milhões de outras, se encontram em um determinado momento e, durante algum tempo, se tornam apenas uma? Seria o destino? Não se sabe, mas fato é que as duas vidas voltarão a seguir caminhos diferentes (e separados), mais cedo ou mais tarde. Novos interesses em comum surgirão, mas com outras pessoas. A expectativa nem sempre corresponde à realidade. Um dos dois vai deixar de gostar do outro (como gostava antes) e irá se interessar por uma terceira pessoa. Vai terminar a relação, mas talvez queira continuar mantendo contato. Se você ainda gostar dela, será um problema, porque você terá a amizade, mas sem o benefício do sexo (a terceira pessoa é que o terá).

Quando Summer é contratada pela empresa em que Tom trabalha, sua beleza chama a atenção de todos. É engraçado ver como as mulheres que entram em um novo trabalho, faculdade etc. despertam o interesse e a curiosidade de seus colegas. Alguns dizem: "Carne nova no pedaço", como se ela não fosse mais do que apenas um corpo. Se bem que muitas mulheres se satisfazem tendo apenas seu corpo admirado. Mas não é o caso de Summer. No quarto dia, a banda The Smiths faz eles trocarem as primeiras palavras. No elevador, Summer pergunta o que Tom está ouvindo em seu MP3.

No começo tudo parece ser tão especial, que você até acredita em destino. Mas, no final, ela é igual a todas as outras. Começa a mentir e/ou a gostar de outra pessoa. Parece que um passe de mágica a faz transferir os sentimentos que tinha por você para outro. A sua relação passa a ser algo que não existe mais. Aquela velha intimidade foi perdida. São dois estranhos agora. Todas as brigas e desentendimentos, mas também os momentos maravilhosos, só existem agora na sua lembrança. Ela nem dá tanto valor assim, já que o presente é de outro. E você percebe que o que viveram foi legal, mas não tão especial quanto parecia ser. Talvez tudo, realmente, não tenha passado de uma grande coincidência.

O amor vira ressentimento e você se pergunta onde tudo começou a dar errado. Como Renato Russo dizia, "O pra sempre sempre acaba". Mas você vai conhecer outra pessoa, esquecerá essa, e passará pelas três fases novamente (o ciclo se repete). O curta metragem Como Terminar um Namoro e a música Parte de Mim, do Gram, ilustram com perfeição a premissa de (500) Dias com Ela. O Blogueiro recomenda.

(500) Dias com Ela - (500) Days of Summer - 95 min
EUA - 2009
Direção: Marc Webb
Roteiro: Scott Neustadter, Michael W. Weber
Com: Joseph Gordon Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloe Moretz, Clark Gregg


Por: Mattheus Rocha

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  1. Um dos pontos fortes do filme certamente é a trilha sonora, as músicas ponteiam a trama e estão muito bem colocadas.

    Não gostei muito do título, já que com a tradução perde-se o duplo sentido do original (500) Days of Summer - Summer é o nome da lindíssima Zooey Deschanel, mas também faz uma alusão ao verão, onde tudo tem brilho e o novo amor nasce e depois acaba.

    Mas o maior mérito mesmo é sair da fórmula "boy meets girl", dando um final diferente do esperado "feliz". A relação com Annie Hall é clara também. Vai lá, uma das melhores surpresas do ano passado.

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  2. Só pra corrigir: não gostei muito da tradução pro português, não do título. O título é bem legal. E não sei se ficou claro mas o "Annie Hall" do qual tava falando é o filme de Woody Allen (Noivo Nervoso, Noiva Neurótica).

    Abs.

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  3. Assim como você, ouvi muitos elogios com relação a esta película, mas, sinceramente, não me empolguei com o trailer. De qualquer forma, relacionamento é um tema que me interessa, pois nos ajuda a reiterar conceitos – ou, quem sabe, mudá-los. Você, sem contar o filme, descreveu, interessantemente, uma sinopse mais receptiva. Agora, sim, vou assistir.

    Mattheus para crítico de cinema! Quem me acompanha diga EU!

    Abraços, amigo.

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  4. Na minha opinião foi a melhor dica de filme que vc deu por aqui...uma comedia romantica diferente das outras,que nos faz refletir...

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  5. Gosto de falar desse filme, desde que vi o trailer decidi que queria vê-lo. Quando assisti, porém, não soube se havia ou não gostado dele, pois é um filme que foge a regra dos filmes que vemos por ai, mas graças a uma crítica que li, pude ver que o fato de eu não ter traçado uma opinião deve-se ao fato de que o filme é realista! De certa forma você se enxerga no filme! E desde que pude entender isso esse filme habita a minha lista de favoritos!
    +----------------------------------
    http://duventublog.blogspot.com/

    Levi Ventura

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  6. bom, posso estar sendo injusto, mas, ao que me parece esse filme faz parte da categoria "não vi e não gostei". heheheh

    abraço

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  7. Daniel, exatamente por causa deste pré conceito bobo, quase deixei de ver este surpreendente filme. Não tem como não gostar de um filme sem o ter visto. Deixa de bobeira. rsrsrs

    Abraços !!!

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