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Nove Indicações ao Oscar: Filme, Direção, Direção de Arte, Fotografia, Edição, Trilha Sonora, Efeitos Visuais, Som, Edição de Som

Até que enfim consegui ver Avatar em 3D, após três tentativas frustradas. Valeu a pena esperar. Hoje tive a certeza de que o cinema em terceira dimensão, ao ampliar nossa experiência sensorial, faz com que nos envolvamos mais com o filme. Parece até que podemos tocar as personagens, em determinados momentos. Em outros, entramos em naves, corremos, saltamos e até voamos. Antes da atração principal, conferi, também em 3D, dois trailers sensacionais: Alice no País das Maravilhas (estreia em abril) e Shrek 4 (estreia em julho). Os dois prometem ser ótimos.

James Cameron saiu de um longo hiato (este é seu primeiro filme após dirigir Titanic, em 1997) para apresentar o espetáculo visual de maior orçamento da história do cinema. Filmes como Avatar apontam uma nova saída para a produção cinematográfica. Não tem como reproduzir a sensação do 3D em casa (por enquanto). Portanto, você pode até baixar o filme ou comprar no camelô da esquina, mas se quiser o pacote completo, tem que ir ao cinema. Eu recomendo.

Avatar conta a estória do choque entre duas culturas. O fato de se passar no futuro e em outro planeta parece apenas pretexto para justificar o uso da tecnologia que a equipe de Cameron teve à disposição. Não que isso seja ruim, pelo contrário. É evolução a serviço da arte. Mas podemos fazer uma analogia da trama com a expansão territorial e imposição cultural que o poder estadunidense insiste em promover, sob as mais esfarrapadas justificativas, que se perdem em si.

O povo que habita o planeta de Pandora tem uma incrível ligação com a natureza, ao contrário do que o ser humano vem fazendo ao longo do "desenvolvimento" do sistema capitalista (o que ficou resolvido em Copenhagen?). Nós fazemos parte da natureza, não somos seres à parte dela. Somos um só. Pandora possui uma imensa riqueza natural e o exército estadunidense (eles de novo) estão lá para apoderar-se dela, não importa o que tenham que fazer. Aí estão incluídos massacre de inocentes, bombas e mísseis por todos os lados etc. (alguém se lembrou de Iraque e Afeganistão, para citar duas incursões recentes?)

Claro que um caso de amor entre pessoas de mundos diferentes é necessário, para dar ligar à trama, mas até que o romance, apesar de previsível, funciona bem. O filme se perde quando Jake Sully, personagem principal, profere um daqueles discursos ao povo oprimido, os incitando a enfrentar um exército mais numeroso e forte. Recurso melodramático dispensável à evolução do roteiro, mas que é feito em centenas de filmes em que há guerra, exatamente da mesma maneira. A partir daí, Avatar lembra muito Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, com o confronto entre diferentes raças. Vale uma ida ao cinema. Desde que seja em 3D.

Avatar (Avatar) - 162 min
EUA, Reino Unido - 2009
Direção e Roteiro: James Cameron
Com: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi

Por: Mattheus Rocha

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