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O primeiro filme que vi do Darren Aronofsky foi “Réquiem para um sonho”, de 2000. Filmaço. Original, pesado, estiloso... Porrada no estômago.

Logo depois, seu primeiro longa, “Pi”, de 1998, passou no Festival do Rio. Foi aí que percebi que Aronofsky não estava de bobeira. Tinha tudo para ser um dos maiores cineastas contemporâneos. Mas aí demorou seis anos para lançar o megalomaníaco “Fonte da vida”. Decepcionante. Algumas pessoas gostaram. Achei péssimo. Só não saí do cinema porque em 2006 eu tinha mais paciência.

Me sentia na obrigação de assistir a um filme ou ler um livro sempre até o final. Hoje não faço mais isso. Mantenho apenas o hábito de esperar os créditos passarem, antes de sair da sala de cinema. Mas só quando gosto muito do filme. Acho que sair antes disso é um desrespeito a quem trabalhou no filme. Coisa de cinéfilo...

Pois bem, vários amigos me falaram de “O Lutador”, quarto longa do Aronofsky. Demorei, mas não resisti e baixei o filme. Ótimo. Mostra Mickey Rourke como um lutador de luta livre em decadência. O papel combina bem com ele. Mickey abandonou o cinema para ser boxeador profissional, apareceu com o rosto um tanto quanto desfigurado (para quem era um galã de Hollywood, isso foi um elogio), caiu no ostracismo e reapareceu fazendo algumas pontas. Em “Sin City”, como Marv, chamou novamente a atenção.

Mas é em “O Lutador” que Mickey demonstra que ainda é um grande ator. Com o rosto nu, sem maquiagem, dá a cara a tapa. Literalmente. Aronofsky se recupera bem de seu último filme.

A propaganda velada da ideologia estadunidense (coisa que acontece mais do que percebemos, em filmes americanos) me incomodou. Pode parecer besteira, mas não acredito que seja. Reparem: o mocinho é o americano, o vilão é o Aiatolá. Deus vence Alá. Com sacrifício, mas vence. Além disso, sua realização é o trabalho. Ele mostra que daria a vida pela luta, mas não por sua família, ou pela chance de viver um grande amor. Ele é admirado e aplaudido por suas vitórias. Ele é um vencedor, aos olhos do público. Não é o american way of life? Seja um vencedor.

Mas sua vida privada é bem diferente. Abandonou sua filha, usa anabolizantes, é solitário e não tem mais a resistência física que tinha quando jovem. Quando sofre um ataque cardíaco, é obrigado a rever o que é realmente importante para ele.

Não considero “O Lutador” superior aos dois primeiros longas de Aronofsky, mas certamente supera sua viagem megalomaníaca de 2006. É um excelente filme.

Por: Mattheus Rocha

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