0

A solidão é uma das características mais marcantes da sociedade pós-industrial. Chega a ser engraçado. Nunca, na história da humanidade, as pessoas viveram tão aglomeradas e formaram centros urbanos tão populosos.

Mas isso é suficiente para as pessoas interagirem melhor e se sentirem verdadeiramente mais próximas? A resposta é não. Sabe aquela velha parábola em que fulano se sente só em uma multidão? Pois é. Isso explica bem o que quero dizer.

O documentário “Edifício Master”, de 2002, dirigido por Eduardo Coutinho, é um excelente estudo sobre o tema. A equipe do filme alugou um apartamento no prédio (que tem 12 andares; 23 apartamentos por andar; ao todo, 276 apartamentos conjugados; cerca de 500 habitantes) e, durante uma semana, entrevistou diversos moradores. Acredito que a comunidade “Edifício Master” retrata a sociedade pós-moderna, em um plano geral. Do micro ao macro...

O filme mostra personalidades extremamente diferentes, mas com um sentimento latente de angústia e melancolia, que transparece em seus olhares. Talvez motivado por essa solidão pós-moderna, de que falamos. É... A vida não é um mar de rosas.

A maioria das histórias é triste e sofrida. Podemos até nos identificar com algumas delas. Estas personagens da vida real trazem consigo características e sintomas da pós-modernidade: sociofobia, revolta, aborto, tristeza, isolamento etc.

Muitas dessas pessoas já pensaram até em suicídio, como forma de fugir dos problemas. Mas, quem não tem problemas nessa vida? Só com coragem se encara esse mundo cão e louco em que vivemos. Já que estamos aqui, bola pra frente.

O Edifício Master fica bem perto de onde moro. Lembro que assisti ao documentário pela primeira vez no Festival do Rio de 2002. Quando acabou a sessão, fui até o prédio e fiquei vários minutos vendo o entra e sai das pessoas...


Por: Mattheus Rocha

Postar um comentário

 
Top