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Dizem que a Princesa Isabel era uma pessoa muito boa, pois aboliu a escravidão no Brasil. Não é bem assim. A Lei Áurea foi consequência de pressões que o Império sofria. Em 1888, o movimento abolicionista já era muito forte no Brasil. A fuga de escravos e a formação de quilombos eram cada vez mais frequentes.

Além disso, com a crescente chegada de imigrantes ao Brasil, a mão-de-obra passou a ser barata e abundante. Economicamente, já não era mais lucrativo manter o trabalho escravo. Era muito mais vantajoso pagar o salário mínimo a um trabalhador “livre”, do que arcar com as despesas de sua subsistência. Eles eram vistos como mercadorias, não como seres humanos.

A abolição da escravatura não foi a elevação dos negros à condição de cidadãos livres. Foi o rebaixamento de toda uma massa de trabalhadores à condição de escravos sem correntes físicas. Mas com as correntes psicológicas, que vão desde as insalubres condições de trabalho ao fantasma do desemprego.

No capitalismo, a lei da oferta e da procura dita o mercado. Como o trabalhador vende a sua mão de obra ao capitalista, o desemprego é essencial para a manutenção das precárias condições salariais. Essas, por sua vez, são essenciais ao lucro do capitalista. Se fulano não aceitar vender sua mão de obra por um salário mínimo, sicrano e beltrano irão aceitar. Mais que isso, se virão obrigados a aceitar. Ou seja, a desigualdade social sempre existirá em um sistema capitalista.

O trabalhador assalariado diz: “Patrão, preciso trabalhar menos de 8 horas diárias, além de um aumento de salário. Não estou conseguindo sustentar minha família e minha saúde está cada vez mais debilitada”. O patrão responde: “Não terá nem uma coisa nem outra. Se não estiver satisfeito, pode ir embora. Existem milhares de pessoas que pegariam sua vaga”.

Em outras palavras, os negros viraram escravos sem dono. Hoje vivemos a escravidão moderna. Não só negros, mas brancos, índios, mulatos etc. Quem consegue se manter com um salário mínimo? Quem consegue manter uma família com um salário mínimo? Sobreviver não é viver.

Com a intenção de manter esta realidade, os Estados deixam cada vez mais de intervir nas causas sociais, de estimular a cidadania e a cultura dos “self made men” é valorizada ao extremo. Isso não é consequência de um fator histórico natural e não acontece por acaso.

O filme “Quanto Vale ou é por Quilo?”, de 2005, denuncia que a solidariedade não combina com o capitalismo. Mas isso nós já sabemos. Por isso, o diretor Sérgio Bianchi vai mais longe. O que poucos sabem é que nem todas as milhares de ONGs que existem no Brasil são sérias. Que muitas delas usam a solidariedade como desculpa para lavagem de dinheiro, lucro em cima da pobreza etc. Inclusive, capitães-do-mato modernos são parte do esquema de silenciar quem busca se aprofundar no combate a esta lamentável prática.

Se sou contra as ONGs? Não. Sou contra o fato de pessoas precisarem delas.

Vivemos num mundo em que as aparências valem mais do que a realidade. Em que a embalagem vale mais do que o produto. Mas nem tudo é o que parece ser. Silêncio...



Por: Mattheus Rocha

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