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Os Descendentes Histórias Cruzadas Viagem 2 A Bela e a Fera
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Crítica - The Chemical Brothers: Don't Think

Nos próximos dias 3 e 4 de fevereiro, a rede UCI traz para o cinema o musical The Chemical Brothers: Don't Think. Filmado em shows no Japão durante o Fuji Rock Festival em julho do ano passado, a montagem dirigida por Adam Smith apresenta imagens do show, da plateia e até do entorno do festival – tudo foi afetado pela música e pela arte eletrônica. Foram 21 câmeras espalhadas pelo show para captar imagens que você certamente não espera ver em um espetáculo como esse. Ao menos não nessa proporção. 

Tigres, elefantes, baratas feitas de luz, um palhaço que parece saído de algum livro do Stephen King e muitas, muitas luzes piscando. Ao tentar traduzir visualmente a cacofonia da música eletrônica dos Chemical Brothers, a produção do show fez um trabalho maravilhoso. Associadas às imagens das pessoas em diversas situações dentro da noite, percebe-se um panorama bem completo do espetáculo. 

Ver os Chemical Brothers no cinema ou ao vivo?


Ainda assim, a experiência não é completa. Ir a um evento deste porte é uma atividade mais visceral, é preciso sentir o calor, a pressão sonora, os pés sujos de lama. E embora tudo isso esteja presente, em maior ou menor grau, os sentidos não são tão excitados quanto na vida real. 

O filme é baseado no conceito de imersão total, e é o primeiro filme-concerto mixado em Dolby 7.1 a ser exibido no Brasil. A tecnologia enriquece bastante as sensações, mas ainda não é como estar lá. Não se pode ganhar todas, e se há um preço a pagar para evitar longas filas, chuva, lama e o aperto do gargarejo, esse preço é ficar confortavelmente instalado numa poltrona acolchoada, com seu refrigerante seguro no apoio e o ar condicionado na temperatura ideal. Vale a pena. 

Os fãs dos músicos certamente vão gostar, já que é uma oportunidade de ver um show confortavelmente sentado na poltrona do cinema. Uma dica: desta vez não compre pipoca. Feche os olhos, respire fundo por alguns segundos e deixe seu corpo ser levado pela luz e pelo som. 

No Rio de Janeiro, o filme Don't Think poderá ser conferido no UCI New York City Center. A atração também estará em cartaz em outros cinco cinemas da rede, localizados em São Paulo, Recife, Fortaleza, Salvador e Curitiba.

Por: Stefano Aguiar
Nota: 7



Ficha Técnica

The Chemical Brothers: Don't Think – 85 min
Japão – 2011
Direção: Adam Smith 

Estreia: 03 de fevereiro

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Crítica - À Beira do Abismo

A construção do clima de tensão crescente na narrativa, e o uso de um protagonista capaz de cativar o espectador, são elementos importantes para que um filme de ação conclua seus objetivos com louvor. O longa À Beira do Abismo, do diretor Asger Leth, acerta em cheio nestes itens. Infelizmente, há elementos no roteiro que reduzem o potencial da história. Resultado: um filme mediano, porém leve, divertido, explosivo, e com alguma crítica social. 

 

União de ação e humor é um dos pontos fortes do filme


Remetendo aos filmes O Fugitivo (de Andrew Davis) e Por um Fio (de Joel Shumacher) – embora, inegavelmente, inferior a ambos – À Beira do Abismo traz a história do ex-policial Nick Cassady (Sam Worthington, de Avatar), fugitivo condenado por roubo, que ameaça se jogar do alto de um edifício em Nova York. Após tomar conhecimento do fato, a polícia dirige-se ao local com uma policial psicóloga, Lydia Mercer (Elizabeth Banks, de 72 Horas), para tentar impedir o suicídio de Nick. Com o tempo, no entanto, descobre-se que a atitude é uma encenação, cuja finalidade é provar a inocência dele e incriminar o poderoso David Englander (Ed Harris, de Caminho da Liberdade). O irmão e a noiva de Cassady também estão na empreitada e irão ajudá-lo na busca pela liberdade. 

E é do alto do prédio que  o personagem de Nick (interpretado com sabedoria por Worthington) comanda o ‘espetáculo cênico’ que mobiliza os transeuntes de Manhattan, que hora gritam “Pula, pula”, ou o enaltecem, considerando-o uma espécie de mártir dos tempos de crise econômica. Tais sequências são apresentadas com primor, pois o movimento de câmera, e a montagem com cortes certeiros, tornam suficientemente crível o quão amedrontador é estar naquela situação. Por outro lado, a impressão das pessoas em relação ao fato inusitado (Por que será que o tal indivíduo quer ser matar?) garante um olhar cômico interessante. 

Falhas no roteiro atravancam o potencial de À Beira do Abismo


Em contrapartida, no momento em que Nick começa a estabelecer contato com a psicóloga (e “negociadora”) Mercer, o filme desce consideráveis degraus, pois a relação estabelecida entre eles é concebida de forma abrupta e artificial. Em outras palavras, tem-se a impressão de que a mocinha (interpretada pela bonita, mas pouco carismática e inexpressiva Banks) se interessou pelo sujeito (ou acreditou nas suas palavras), e deixou, imediatamente, suas atribuições de lado. O roteiro, que acertara na inclusão de humor em sequências anteriores, também peca por buscar de maneira forçada atrair a atenção do espectador para o “conflito amoroso cômico” entre o irmão de Nick e a namorada, que aliás, rouba o foco da história em alguns momentos.

Com um Ed Harris escancaradamente caricato (de propósito), representando um tipo que, por ser rico, age como se estivesse acima do bem e do mal (figura humana, infelizmente, comum na sociedade brasileira), o filme traz à tona a luta de um sujeito injustiçado contra grandes instituições, a batalha do “exército de um homem só”. Mesmo com sua despretensão, incute alguns questionamentos no espectador. Bom sinal. Com sequências de ação bem realizadas – algumas delas irresistivelmente improváveis – À Beira do Abismo, apesar das falhas, cumpre a função de divertir o público. 

Por: Bruno Mendes 
Nota: 7.5




Ficha Técnica


À Beira do Abismo (Man on a Ledge) – 104 min
EUA – 2012 
Direção: Asger Leth 
Roteiro: Jeb Stuart, David Twohy, Roy Huggins 
Elenco: Sam Worthington, Elizabeth Banks, Jamie Bell, Ed Harris, Edward Burns

Estreia: 03 de fevereiro

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Crítica - A Bela e a Fera 3D

Assim como foi feito em O Rei Leão, a história de A Bela e a Fera ganha a sua mais nova versão em 3D. Pela terceira vez nos cinemas, o conto de fadas, de origem francesa, apresenta o enredo romântico da menina deslocada de sua vila, a Bela, que se torna prisioneira para libertar o pai das garras do príncipe enfeitiçado e amargurado, a Fera, por quem ela acaba se apaixonando. 

A primeira versão não era em animação e foi feita em preto-e-branco pelos franceses, em 1947. Apenas em 1991, lançada pela Disney, a versão foi produzida em animação, recebendo alterações em seu enredo original. Vinte e um anos depois, agora em 3D, a nova geração tem a oportunidade de assistir ao filme na telona. 

Para os adultos, uma ótima oportunidade de rever o primeiro longa em animação indicado ao Oscar de melhor filme; para as crianças, a novidade é o fato da obra realmente entretê-las. Não há nenhum problema em ser dublado para as crianças, inclusive, é até melhor para elas. No entanto, como se trata de uma animação antiga, os adultos que gostariam de rever agora no som original não podem, pois só foram disponibilizadas cópias dubladas. 

3D não interage com a história de A Bela e a Fera


A razão do retorno aos cinemas, o 3D, não acrescenta no andamento da história e ainda, os efeitos, por si só, são ineficazes. Obviamente, o filme já estava feito, o que fizeram foi acoplar o novo formato ao original. O grande lance que está por trás da volta de A bela e a Fera tem a ver com o surgimento dos aparelhos de TV que possuem tecnologia em três dimensões. Logo, os fabricantes necessitam ter produtos para atender a essas demandas. 

Justo, pois em consequência disso é bem capaz que em pouco tempo tenhamos a oportunidade de rever ou, no caso das crianças, ver outros títulos da mesma época como A Pequena Sereia, Aladdin, Corcunda de Notre Damme, Pocahontas e por aí vai... 

Por: Tiago Canavarros
Nota: 7




Ficha Técnica


A Bela e a Fera 3D (Beauty and the Beast 3D) – 91 min 
EUA – 1991 
Direção: Gary Trousdale, Kirk Wise
Roteiro: Linda Woolverton 
Dublagem Original: Paige O'Hara, Robby Benson, Richard White, Jerry Orbach, David Ogden Stiers, Angela Lansbury, Bradley Michael Pierce, Rex Everhart, Brian Cummings 

Estreia: 03 de fevereiro

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Crítica - Viagem 2: A Ilha Misteriosa

Navegando pelas temáticas dos livros clássicos de aventura A Ilha Misteriosa, de Júlio Verne, As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, e A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, o diretor Brad Peyton recria novamente um universo de aventura e fantasia em Viagem 2: A Ilha Misteriosa, continuação de Viagem ao Centro da Terra, de 2008. O filme mostra um grupo de pessoas conhecendo, e ao mesmo tempo sobrevivendo, às maravilhas de uma ilha onde coisas fantásticas podem acontecer, como uma abelha ser maior que um elefante. Entre um festival de clichês, efeitos especiais e muita cenas de ação, das mais diferentes formas, o longa tenta passar alguns valores enquanto diverte o jovem espectador.

Lagartos gigantes, um vulcão de ouro e muita correria em Viagem 2: A Ilha Misteriosa


O roteiro reapresenta o personagem Sean (Josh Hutcherson, de Minhas Mães e Meu Pai), agora já alguns anos mais velho que no primeiro filme da franquia. Nessa nova realidade, Sean é um adolescente revoltado e aficcionado pela obra de Júlio Verne. O longa já começa com uma perseguição de moto, na qual Sean consegue resgatar uma mensagem criptografada de seu avô desaparecido (Michael Caine, de A Origem). Após rapidamente descobrir o conteúdo da mensagem, o jovem parte para Palau a fim de resgatar o avô em uma ilha isolada no meio do Oceano Pacífico. Mas junto com ele e contra sua vontade vai também o padrasto Hank (Dwayne Johnson, de Velozes e Furiosos 5), com quem Sean mantém uma relação conflituosa.

Ao chegarem em Palau, descobrem que a área onde a ilha procurada se encontra é uma região de forte instabilidade temporal e ninguém quer se arriscar a guiar a dupla, com exceção do espertalhão Gabato (Luis Guzmán, de O Sequestro do Metrô 123) acompanhado de sua filha Kailani (Vanessa Hudgens, de Sucker Punch). A partir daí o filme se desenrola em uma série de acontecimentos que garantem o clima de aventura da história.

Efeitos visuais tentam segurar um enredo previsível constituído por histórias fracas


O filme apresenta cenários bastante elaborados, na tentativa de recriar uma espécie de paraíso perdido. Realmente, durante o transcorrer da história o espectador se depara diversas vezes com cenários exuberantes, e as cenas que envolvem os animais diferentes da ilha são especialmente mais interessantes. Levando em conta o público-alvo de Viagem 2, há também a possível disseminação de livros clássicos entre os jovens, incentivando até mesmo a busca pela leitura, já que muitas vezes os personagens se livram de enrascadas e perigos por intermédio de trechos dos livros relacionados à trama.

A história do filme, contudo, é somente um grande clichê, assim como todas suas ramificações. O padrasto bonzinho que busca um relacionamente amigável com o enteado rebelde, o avô sabichão, a menina pobre que deseja sair do fim do mundo para fazer faculdade e por quem o mocinho se apaixona logo à primeira vista, e assim por diante. Os personagens são limitado a poucos traços de personalidade e até mesmo as piadas são, em sua esmagadora maioria, bastante fracas. Mas não dá para exigir um humor muito elaborado de um filme voltado ao público infanto-juvenil. Algumas cenas chegam a ser facilmente tratadas como dispensáveis, como a dança bizarra protagonizada pelos músculos do peitoral de Hank, na qual o espectador se pergunta qual o motivo exato daquilo.

Outra lacuna que talvez incomode, mesmo com o grande espaçamento entre um filme e outro, é o fato de que os personagens do primeiro longa, como o tio de Sean (vivido por Brendan Fraser, da franquia A Múmia), ou a a guia islandesa Hannah (Anita Briem, mais conhecida pela série inglesa The Tudors), não são sequer mencionados. Durante o filme todo, personagens que foram principais em Viagem ao Centro da Terra são tratados como se nunca tivessem existido. Fica a dúvida então se Viagem 2 é realmente a continuação do original, ou se é somente mais um filme infanto-juvenil padrão de Dwayne 'The Rock' Johnson, como alguns outros de temática bastante semelhante, tais quais O Fada do Dente ou Treinando o Papai.

O filme se segura na tentativa de cativar seu público alvo com uma enxurrada de efeitos próprios para o 3D, mas se perde em alguns exageros e na história pobre e mal construída. Na dúvida, melhor optar mesmo por ler o livro de Julio Verne.

Por: Rafael Gonzaga 
Nota: 6




Ficha Técnica


Viagem 2: A Ilha Misteriosa (Journey 2: The Mysterious Island) - 94 min
EUA - 2012
Direção: Brad Peyton
Roteiro: Richard Outten, Brian Gunn, Mark Gunn
Elenco: Josh Hutcherson, Vanessa Hudgens, Michael Caine, Kristin Davis, Dwayne Johnson, Luis Guzmán

Estreia: 03 de fevereiro

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Crítica - Histórias Cruzadas

Histórias Cruzadas, indicado em quatro categorias do Oscar 2012 (incluindo Melhor Filme) é uma abordagem feita por pessoas que conhecem e viveram na época racista da cidade de Jackson, capital do estado de Mississipi, durante os anos 1960. Tanto o realizador, Tate Taylor, quanto Kathryn Stockett (eles são amigos de infância), autora do best-seller The Help, que originou o filme, se destacaram por atribuir propriedade sobre um assunto recorrente no cinema. O tema é similar a alguns filmes já produzidos sobre as cidades do sul dos EUA, como Fantasmas do Passado (de Rob Reiner) e Mississipi em Chamas (de Alan Parker), entretanto, o que o difere dos demais é seu enfoque, a história de mulheres domésticas que vivenciaram abusos e intolerâncias características da época naquela região.

Histórias Cruzadas aborda o preconceito racial


Se em Fantasmas do Passado (1996), a personagem de Whoopi Goldberg era ajudada pelo advogado (Alec Bladwin) para ter poder de voz, em Histórias Cruzadas, Minny Jackson (Octavia Spencer, vencedora do Globo de Ouro 2012 de Melhor Atriz Coadjuvante) e Aibileen (Viola Davis, de Confiar), por sua vez, tiveram ajuda de Skeeter (Emma Stone, de Amor a Toda Prova), aspirante à escritora, para tentar romper com o status quo vigente da década de 1960. O momento era de transição, contudo, ainda havia muita aversão às pessoas negras. O mesmo banheiro das residências começava a ser utilizado tanto por negros e brancos (em turnos distintos) e os ônibus começavam a não mais segregar as duas cores. Desde 1954, tais medidas, juntamente com a aceitação de negros na faculdade, já eram previstas em Lei. Mas mudar um hábito é uma tarefa árdua.

Skeeter, a escritora de primeira viagem e recém-formada, possui uma mentalidade mais aberta que as suas amigas, como a megera Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard, de Além da Vida), e tem uma profunda admiração por sua babá e mãe de criação, Constantine. Tal consciência e espírito de mulher independente fez com que ela resolvesse escrever um livro com relatos da rotina dessas mulheres, domésticas vítimas de racismo.

E é através destes relatos que o retrato desta época é destrinchado. Ao longo do emocionante filme, as babás/governantas são muitas vezes mais que o seu ofício exige, são mães de crianças deixadas de lado pelas mães biológicas e que ainda assumem um cargo extra, como psicólogas, para ajudar na solidão de uma dondoca em crise com seu casamento, por exemplo. Este é caso de Celia Foote (Jessica Chastain, de A Árvore da Vida). Um dos poucos pecados do filme é sua longa duração, denotando falta de atenção da equipe de edição, que poderia cortar cenas desnecessárias e assim conferir mais dinamismo e ritmo.

Destaque para o elenco afinado


De maneira singela, o drama dessas mulheres emociona e ainda consegue, em momentos propícios, ser engraçado. Para comover e rir, convincentemente, em um só filme, o elenco tem que estar muito bem e a prova disso é a grande quantidade de indicações e premiações que vem recebendo. O Sindicato de Atores dos Estados Unidos (SAG) agraciou Histórias Cruzadas em sua categoria principal, Melhor Elenco, e, anteriormente, Octavia Spencer foi eleita a Melhor Atriz Coadjuvante do Globo de Ouro 2012. Embora não esteja liderando nas listas de apostas, dia 26 de fevereiro, quando acontece a cerimônia do Oscar, Histórias Cruzadas pode faturar por Melhor Filme e, na categoria de Melhor Atriz, Viola Davis, juntamente com Octavia Spencer e Jessica Chaistan, que estão concorrendo pela estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, poderão enaltecer ainda mais o brilhante trabalho do elenco. 

Por: Tiago Canavarros
Nota: 8




Ficha técnica

Histórias Cruzadas (The Help) – 146 min
EUA – 2011
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Tate Taylor – Baseado no romance de Kathryn Stockett
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Ahna O'Reilly, Allison Janney, Sissy Spacek

Estreia: 03 de fevereiro


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Crítica - As Mulheres do Sexto Andar

A eterna luta burguesia x trabalhadores é o tema da comédia francesa As Mulheres do Sexto Andar, escrita (com colaboração de Jérôme Tonnerre) e dirigida por Philippe Le Guay. O fundo político, porém, é apenas um pretexto para se falar da busca do amor e da felicidade.

Exótica cultura espanhola


Jean-Louis Joubert (Fabrice Luchini, de Potiche: Esposa Troféu) é um bem-sucedido corretor da bolsa de valores, casado com Suzanne (Sandrine Kiberlain, de O Pequeno Nicolau), uma mulher fútil, com quem leva uma vida estável e sem surpresas. A vida do casal começa a mudar quando a velha empregada vai embora e é substituída pela bela e eficiente Maria (Natalia Verbeke), recém-chegada a Paris, vinda da Espanha em busca de uma vida melhor.

Por intermédio de Maria, Jean-Louis descobre um novo mundo: o sexto andar do edifício onde reside desde que nasceu; residência também de todas as domésticas espanholas, para quem as dificuldades do dia-a-dia não são razão para que se sintam infelizes. Pelo contrário, servem como combustível para que continuem perseguindo seus sonhos. A alegria e o companheirismo reinante entre as empregadas, a descoberta da exótica cultura espanhola, com sua língua, música e comida deliciosas, transformam Jean-Louis, que põe em dúvida a felicidade que sentia até então...

Elenco compensa previsibilidade de As Mulheres do Sexto Andar


A previsibilidade do roteiro é amplamente compensada pela excelente atuação de todo o elenco, com destaque para Fabrice Luchini, que transmite credibilidade ao incorporar o alienado burguês que se descobre através daquelas esfuziantes mulheres. Todos, porém, têm seu momento de brilho, entre eles a veterana Carmen Maura, ex-musa do espanhol Pedro Almodóvar. 

Ambientada no início dos anos 60, antes portanto do maio de 68, a produção retrata uma sociedade conservadora, com valores hoje anacrônicos. As questões sociais e políticas, como a sangrenta Guerra Civil Espanhola, são apenas citadas, não sendo exploradas a fundo. Tampouco é discutido o preconceito pelas nações ibéricas por parte dos franceses, que até pouco tempo atrás diziam que após os Pirineus (cadeia montanhosa que separa a França da Espanha) estava a África.

Hoje, com a economia europeia em frangalhos, e o mundo cada vez mais politicamente correto, o objetivo da comédia parece ser apenas fazer rir, o que consegue com facilidade, graças às excelentes atuações e ao conforto que o passado, por mais difícil que tenha sido, transmite em momentos de crise.

Por: Gilson Carvalho
Nota: 7.5




Ficha técnica

As Mulheres do Sexto Andar (Les Femmes du 6ême Étage) – 104 min 
França – 2011 
Direção: Philippe Le Guay 
Roteiro: Philippe Le Guay, Jérôme Tonnerre 
Elenco:  Fabrice Luchini, Sandrine Kiberlain, Natalia Verbeke, Carmen Maura, Lola Dueñas 

Estreia: 03 de fevereiro (adiada, ainda sem previsão)

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